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Quinzena

Já a manhã de quarta-feira ia alta quando, deixando para trás o centro histórico da Capital do Gótico Português, chegou à taberna do Quinzena. Chegou mão dada com uma promessa, de uma mistura única de sabores só possível naquele planalto fortificado sobre o majestoso Tejo. Um mangusto, especialidade escalabitana que, prometendo acompanhar com garbo um muy clássico bacalhau assado, é servida apenas à segunda-feira. Não chegou a ser decepção, pois a notícia ouviu-a ainda extasiado pela decoração, feita de cartazes amarelecidos e fotografias da festa brava, de touros e toureiros, de velhas glórias e novas promessas. Deliciado ainda pelo mobiliário, pelos bancos grosseiros, daqueles com um providencial buraco no centro, pelas mesas, quadradas com tampo de mármore nobre na sua alvura. Cobrindo-as toalhas coloridas e a baixela, pratos de barro e pequenos copos, bem típicos de uma taberna de outrora. Não havendo mangusto a escolha recaiu sobre umas perfeitas plumas de porco preto que, grelhadas no ponto, com sal a preceito, têm o condão de lembrar as velhas manhãs de domingo da sua infância em que, ajudando ao desmanche do porco, provava as primeiras carnes, atiradas para as brasas apenas com sal grosso como companhia. Antes disso, já um surpreendente prato de ovos mexidos com farinheira se havia revelado prémio suficiente para justificar a deslocação a Sul. Para terminar em beleza, copos de dedal e uma selha cheia de garrafas variadas, incluindo um competente licor de poejo e uma luminosa aguardente velha. Saciado, saiu pelas portas de vai-e-vem que adivinha ali desde o início dos tempos. Saiu com a certeza do regresso, a Santarém e à Taberna do Quinzena, para um mangusto ou para qualquer outra iguaria, pouco importa.

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