O vento

O vento sopra, finalmente. O vento sopra nas Geraes trazendo com ele a insuportável saudade do meu Benfica. A vontade de estar lá, agora, como se Alvalade fosse ali, do outro lado da Serra do Curral, como se 7.500km se esfumassem sob o peso do desejo, como se a distância dos últimos meses sucumbisse perante a imagem das camisolas berrantes. O vento sopra, finalmente, mas o vento que cala a desgraça, o vento que nada me diz, deixa espaço para a ilusão, para a subida de Aimar ao relvado, sim, de Aimar, como se o 10 nunca nos tivesse deixado pela porta pequena. Ou, pelo canto do olho, traz a imagem de Pedro Mantorras, no banco, assegurando que, se algo correr mal, ele estará lá, qual anjo vingador pronto a devolver às bancadas verdes a incerteza da sua mortalidade. Sim, do vento não constam os pequenos desmandos ou as grandes mentiras, neste vento não cabe Jesus dos últimos dias. O Jesus que com ele voa não se ajoelha jamais, o Jesus que vejo é o que transforma, com toque de Midas, inconstantes extremos em laterais de luxo, aquele que reabilita argentinos proscritos transformando-os em insubstituíveis 8’s. É o Jesus que nos devolveu o mais belo futebol de uma vida, não o que o desbaratou em dias tristes.
Olho para o papel e percebo que afinal a distância existe. Um oceano separa o sonho da realidade. Mas, que diabo, ainda temos Cardozo. E Tacuara pode não voar com o vento, mas, como sabemos, não perdoa nunca. Nem esquece. Que seja ele a salvar-nos. E a enterrar a distância que nos separa, que teima em interpôr-se entre nós e a nossa equipa, essa distância que dura há muito tempo. Há demasiado tempo.

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mais um derby

Sofia,

Sim, por vezes invejo-te, por vezes invejo o ritmo a que se sucedem os jogos da Premier League, invejo-te quando, passando no café a meio de uma qualquer semana, vejo os gunners a jogar imaginando-te pregada à televisão com uma Guiness por perto. Enquanto isso o nosso Benfica folga. Sim, irritam-me as paragens da Liga, prolongadas e vazias, deprimentes e preguiçosas. Há a festa da Taça, dirás, e também a taça da Liga… Mas não, não é a mesma coisa. Ver a segunda-mão de uma meia-final da Taça tem pouco mais emoção do que a transmissão televisiva de um jogo de golfe (que o Joel não me ouça…). Sim, já me tentaste convencer das vantagens  de ter vários clubes no coração, como tens o Benfica e o Arsenal ou o Southampton. Multiplicam-se as oportunidades, é certo, mas divide-se a emoção, diria. Além disso não o consigo. O meu coração é do Benfica. Ponto. Sim, vibro com a entusiasmante fase do Atlético Mineiro de Ronaldinho, sinto-me merengue a espaços e gunner por vezes. Mas o que me move é o Glorioso, o que quero é o escudo da Liga nas nossas camisolas. O que quero é despachar isto, arrumar o Sporting e ser campeão na Madeira. E pelo meio sentir a vertigem de jogar em Istambul, a caminho de Amesterdão. É o nervoso miudinho que me move. Esse que cresce em exponencial à medida que se aproxima mais um derby absolutamente decisivo, uma semana louca que decidirá a glória ou o desespero. E outra, depois, e ser assim até à festa no Marquês, até ao fim de uma das melhores épocas de sempre. Se estou eufórico antes do tempo? Claro, mas sabes bem que é assim o meu futebol. Invejo-te por vezes. Não hoje, não na véspera do derby…

Pedro, 20 de Abril de 2013

O 7-1, não-sei-quantos anos depois…

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Passam hoje, ao que parece, não-sei-quantos anos sobre o célebre 7-1 de Alvalade. E, se houve dia em que fim do mundo esteve perto, foi esse certamente. Falamos de tempos em que o Sporting era de facto grande , não tanto quanto se julgava, mas grande ainda assim. Tempos, em que merecia o nosso ódio de estimação, em que as ridículas camisolas tinham algo que, não sendo propriamente temível, inspirava ainda algum vagamente fundamentado receio. Tempos em que os títulos ficavam normalmente em Lisboa, variando apenas de lado da 2ª circular. Não foi o fim do mundo, claro. Mas esteve perto.
Hoje, não-sei-quantos anos depois, é o fim do Sporting tal como o conhecemos o que o calendário Maia parece apontar. Hoje o máximo que o Sporting almeja festejar é um golito de Van Wolfsinkel, que, felizmente acabou por dar algum valor à vitória certa do Benfica. O máximo a que aspira é a aproximação ao meio da tabela, porque, por muito que o desmintam, não há Sportinguista que não tema hoje uma inédita descida ao inferno.
Passam hoje, ao que parece, não-sei-quantos anos sobre o célebre 7-1 de Manuel Fernandes. Pelo facebook festeja-se efusivamente, como se não houvesse amanhã. Para o Sporting talvez não haja, de facto…

até breve…

É deprimente, a silly season do futebol Português.
Irritam-me as conversas sobre reforços messiânicos.
Não tenho paciência para torneios mais ou menos amigáveis.
Não suporto ver jogos a feijões.
Por isso parto. Por isso atravesso o Atlântico.
E, quando finalmente regressar ao velho continente, já se jogará futebol a sério.
Já a Supertaça terá dado que falar.
E da liga terão passado duas jornadas.
Suficientes para que a eterna esperança sportinguista comece a desvanecer.
Para que Villas-Boas ouça a primeira meia-dúzia de assobios no Dragão.
O ânimo Benfiquista, esse estará em alta.
Independentemente dos resultados. Imune a tudo.
E assim continuará até Maio, até ao Marquês…