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do São João

Dentre as minhas mais vivas memórias do São João o futebol ocupa um lugar incontornável. O golo de Poborsky que nos fez cair em 96 surgiu quando as sardinhas estavam já no fogareiro, quando os balões esperavam o ar quente que os faria subir aos céus húmidos da noite Portuense. 12 anos antes, todo o Caramulo se preparava para a festa daquele que, não sendo o seu padroeiro, é motivo bastante para comer umas boas sardinhas assadas, acompanhadas de broa e caldo verde. Desta feita éramos nós o underdog frente à poderosa França de Platini. Seria este, aliás, o carrasco que nos impediria de chegar pela primeira vez a uma final europeia. Não jogamos, desta vez, na véspera de São João. Mas é do jogo de hoje que sairá o nosso adversário da próxima quarta-feira.  Ironicamente será a França a cair hoje, caso a vontade de Platini se cumpra. Pouco me importa,  há contas contas para ajustar em qualquer caso. Venham pois as sardinhas, venha o verde-tinto. Depois da bola virão os balões, esses que são a minha mais antiga recordação de São João, quando, pela primeira vez os vi subirem aos céus de Junho em Pereiró, lançados do telhado da garagem do Sr. Almeida, para gáudio dos presentes. Assim seja hoje. E quem ganhar cairá aos pés de Portugal.

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São João

Por estranho que pareça, existe uma estranha relação entre o São João, anos pares e futebol.
Para mim, pelo menos.
Sei-o desde 1984. Noite de São João.
Quando, no Caramulo, a sardinhada, baile, e tudo o que se exige neste dia, foram adiados para ver o Portugal-França.
Que seria um calmo “cumprir calendário”, segundo os Franceses.
Mas que Chalana e Jordão transformariam numa árdua jornada de trabalho.
Que terminou com o golpe de Platini, já no prolongamento.
12 anos depois, nova noite de São João.
Em custóias, casa da Sameiro, tradicional pouso na noite mais longa do Porto.
Televisão no pátio, animação ao rubro, sardinhas a pingar sobre as brasas.
Como pingou, o chapéu de Poborsky a Baía.
Qual orvalhada refreando os ânimos dos foliões…
O dia de São João, de 2004, seria de glória para Ricardo.
Ficarão na história aqueles minutos, em que Ricardo marcou e defendeu os penaltis decisivos desse Portugal-Inglaterra.
Como ficará na história, esse gesto simbólico de tirar as luvas para defender, de mãos nuas, o remate de Vassel.
Os Ingleses rumaram para casa.
Ricardo ganhou, nesse dia, o epíteto de Coração-de-Leão.
Desta feita quis a sorte que o jogo de Portugal fosse no dia 25.
Não é inédito.
Em 2000, dois golos de Nuno Gomes à Turquia, num jogo sem grande história.
Em 2006, jogo épico contra a Holanda, com nervos à flor-da-pele. Costinha foi expulso, Maniche marcou o golo da vitória.
Espera-nos o jogo com o Brasil.
Nesse dia de São Máximo de Turim, devoto confesso de São João.
Mas antes disso, celebre-se o Baptista.
Pinguem as sardinhas na broa.
Corra solto, o vinho verde-tinto de Ribeira de Pena.
E subam os balões.
Inchados pelo ânimo de sete golos…