Posts tagged “Rui Patrício

Estádio de Marte

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Quis o destino que este derby o passasse no Caramulo, quis o destino que, não sendo transmitido em canal aberto, este jogo o visse no café Marte. No velho Marte da minha infância, onde se jogava bilhar às três tabelas ou matraquilhos, onde se compravam jornais, onde se liam jornais da casa com enormes travessas de madeira, onde se compravam pastilhas Pirata ou se furavam os paineis de bolinhas da Regina esperando um qualquer prémio. No Marte, ontem dividido entre os dois lados da segunda circular, ambos bem representados, enchendo o café como nunca o vi. Sim, no meu Caramulo as grandes disputas ainda são entre o Benfica e o Sporting, no meu Caramulo as preferências futebolísticas continuam a passar de pais para filhos, eternizando rivalidades antigas, perpetuando paixões e ódios de estimação. Pais, filhos e netos que ontem se juntaram ali para assistir a um grande jogo de futebol, ali, naquele café, onde em dia de derby não há lugar para parcimónias, para falinhas mansas, contemplações ou meias-medidas. Ali grita-se alto, berra-se a plenos pulmões, salta-se da cadeira a cada golo de Cardozo, vibra-se, sente-se, vive-se futebol como se, gritando dali, do cimo da Serra do Caramulo, as vozes se ouvissem lá, em baixo no relvado. Ouviu-as Cardozo, felizmente. Patrício, esse estava longe demais.

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certezas e surpresas de uma ida ao Dragão

Ao Dragão tinha ido apenas por motivos profissionais, para ver o sistema de iluminação. Experiência única, que me permitiu deambular pelas galerias técnicas e passear bem lá em cima, nas esteiras dos projectores. Voltei hoje, a convite de um amigo, para assistir ao Porto-Sporting. Entrei, confesso, com um punhado de ideias pré-concebidas, essencialmente desagradáveis. A maior parte delas, no entanto, foram caindo ao longo do jogo, porque foi essencialmente agradável essa ida a território inimigo. Começou a desenhar-se agradável, quando surpreendido constatei a ausência de cânticos anti-Benfiquistas ou quando me admirei com o sentido de humor dos vizinhos Portistas da bancada, mesmo sabendo-me vermelho por baixo da camisola do Atlético Mineiro. Do relvado vieram sobretudo confirmações. Sim, já sabia que o Postiga é fraco e confirmei-o ali. Que o Hulk está longe, muito longe de ser um grande jogador, que o Evaldo é uma nulidade, que o Djaló é um imenso nada. Surpreendeu-me, no entanto, o Rui Patrício, que merece a baliza da Selecção, surpreendeu-me o Vukcevic, mas caí aos pés de Falcão, a quem não regateei um forte aplauso. Como não regateio, agora, um discreto elogio ao Dragão desta noite. A continuar assim, cá voltarei, assim surja novo convite…


a dois

Começou bem, a semana, com o melhor Benfica de que me lembro, reduzindo, numa primeira parte asfixiante, o Guimarães de Machado a uma insignificância. Com Sidnei remeter o resto da memória de David Luiz para Londres, com Aimar a justificar o porquê de ser um dos meus “10” favoritos, com Martins a colocar aquela bola dentro da baliza de Nilson, fazendo Rui Patrício tremer. Tudo isto em dia de aniversário de Luisão, brindado com um jogo de sonho, saudado pelos 55000 presentes na Luz. Mas, contra o que seria de esperar, não foi esse o ponto alto da semana futebolística, esse veio três dias depois com o Arsenal-Barcelona. Não o jogo, em si, mas pelo prazer de vê-lo a dois, com a Luisa. Há jogos assim, que não são de ver a sós, porque Villa não é de se odiar sozinho, porque o golo de Van Persie merecia mais do que uma garganta, porque a certeza de que Arshavin daria a volta é de ser partilhada. Futebol é jogo de equipa. Vê-lo também deve ser.  Amornou a semana, com a chegada do Estugarda à Luz, mas na verdade, entre o jogo de Domingo e o da próxima segunda-feira, não esperava muito melhor. Mas o ponto triste chegou hoje, com o esperado mas sempre adiado fim da linha para Mantorras. Pedro Mantorras a quem o azar roubou uma grande carreira, mas a quem a fatalidade não beliscou a aura de mito que goza até hoje na Luz. Pedro Mantorras tem a minha admiração eterna. Devo-lhe isso, devemos todos os Benfiquistas. Ofereçamos-lhe, pois, uma vitória sobre o Sporting, na próxima segunda-feira. Mas dediquemos-lhe uma grande exibição. Eu cá estarei para me deleitar com esse jogo, para odiar Maniche e para venerar Saviola. Eu e a Luisa.