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Pireu

rocks

Chegado ao Pireu, para uma escala de poucas horas, apressei-me em procurar uma forma de subir à Acrópole. Na parede, um cartaz anunciava 12€ como sendo o preço de uma viagem de taxi até ao monte sagrado. Assim foi, entrámos no taxi e rumámos a Atenas, passando pelo estádio do Olympiakos antes de nos embrenhar em ruas inclinadas que nos haviam de deixar no sopé da Acrópole. O taxímetro marcava algo em torno de 11€ quando, como que por artes mágicas, passou subitamente para os 27€ que o taxista me exigiu. Argumentei que era um absurdo, que o cartaz apontava para 12€, ao que me respondeu “where?”, olhando para trás, procurando ver o Pireu. Deixei uma nota de 10€ e saí do carro com um apressado “keep the change”.
Anos depois o taxista vingou-se. Imagino-o hoje, em pleno estádio, venerando Roberto, fazendo gestos obscenos para a claque Portuguesa, procurando-me entre eles, vociferando “keep the change, bitch”…

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altos e baixos

Ainda é assim o meu futebol, de altos e baixos, de vergonha e emoção separados por dias,  horas ou minutos. Minutos que separam um esmagador 3-0 de mais um frango de Roberto ou dias que separam a vergonha do último domingo do jogo de ontem. Dias que medeiam o injustificado despeito pela perda do campeonato e um estádio cheio, a embalar a equipa para um jogo soberbo. Porque foi disso, no fundo, do que se tratou, de um jogo soberbo de Aimar, Coentrão, Saviola mas sobretudo de Sálvio. Cheio de falhas, é certo, mas servido de futebol esteticamente perfeito, temperado com emoção a gosto. É esse o meu futebol, como é esse o futebol da Sofia, o futebol que “prefere o jogo de ataque desvairado, mas com grandes toques de classe do Benfica, aos passes ao milímetro até à morte do Barcelona”. É esse o meu futebol, como é esse o futebol do Joel, onde se “vive a mais delirante euforia e a mais miserável angústia”. É de euforia, a hora. Que assim seja até à próxima quinta-feira, quando finalmente Veloso será vingado. Que assim continue até Dublin…


Roberto

Por vezes é a baliza que nos escolhe.
Aos gordinhos, aos menos virtuosos.
Outras vezes escolhemo-la nós.
Seja como for é para toda a vida.
Tornamo-nos reféns.
Perdemos a capacidade, perdemos sobretudo o gozo de jogar “à frente”.
Perdemos as alternativas.
Sobram a baliza e o banco.
A baliza, sedutora como nenhuma, cruel como poucas, dá-nos céu e inferno.
No banco não há céu.
Há apenas o medo de que seja para sempre…
Por isso desejamos que, nesses dias infelizes nos sossegue a esperança.
E a certeza de que é para aquilo que nascemos.
Que é para os efémeros voos nos pequenos pedaços de céu, que vivemos.
Que é entre os postes, que queremos envelhecer.
E por isso suportamos tudo. Banco incluído
Que Roberto o saiba é o que lhe desejo.