Posts tagged “porto

A voz do dono

20140118-103140.jpg

E pronto, o Porto perde e, acto contínuo, regressam os ataques às arbitragem vergonhosas e desonestas. Limpinho, limpinho. E déjà vu. O que é diferente, neste caso, são os dias que separaram os factos da reacção. E se do velho Dono já se espera lentidão nos processos, o dócil cachorrinho esperou dias infindos para reagir. Para, embevecido com os elogios da esposa, urdir contra cabalas misteriosas que visam derrotar fora do campo uma equipa que, já o disse bastas vezes, roça a perfeição. Sem perceber que a derrota da Luz é dele. Só dele e das suas opções. Contra um Benfica que, longe de brilhante, não foi sequer empolgante. Que ganhou porque jogou o seu jogo, não o do Outro. Que escolheu os 11, os seus 11, pondo de lado cautelas e caldos de galinha. Que teve no banco um Jesus sem Paulo Fonseca, como nunca conseguiu ter um Jesus sem Vitor Pereira. E a escolha de Oblak, quando todos esperavam Artur, é talvez o melhor exemplo. Enquanto isso, do outro lado subia Helton, em vez de Fabiano. E, se não foi pelo Esloveno que o Benfica ganhou, pode perfeitamente ter sido por Fabiano. Pela ausência dele. Ou, em última análise, por Paulo Fonseca. Pela ausência dele. Pela ausência de alma, vendida nas últimas jornadas da época passada, vendida por trinta dinheiros, ou por um prato de lentilhas.
Já era pois, tempo de Paulo Fonseca travar as suas guerras. Não esperar que a mão do dono lhas indique.


Weekly Photo Challenge: My 2012 in Pictures

people campos concertina 1201 01 edited bw(Campos, Janeiro de 2012)

España (328) small(Covadonga, Fevereiro de 2012)

people Lisboa 1203 1 small(Lisboa, Março de 2012)

judas 15 1204(Tondela, Abril de 2012)

people porto painting 1205 01 small(Porto, Maio de 2012)

people cello 1206 01 small(Guimarães, Junho de 2012)

people pastor sta margarida 1207 1 small(Caramulo, Julho de 2012)

people venezia pozzi 1208 01 small(Venezia, Agosto de 2012)

people manif 1209 01 porto small bw(Porto, Setembro de 2012)

tortulho 01(Caramulo, Outubro de 2012)

moon small(Caramulo, Novembro de 2012)

work pontas small(Lavra, Dezembro de 2012)


Weekly Photo Challenge: (Surprise)

people surprise molhe porto 0804 small(surprise.oporto.april.2008)


Weekly Photo Challenge: Silhouette

“escape”

Porto , Farol  de Felgueiras, Novembro de 2010

Fuji Finepix S3pro, Nikon 75-300mm f4,5-5,6

 


foto da semana I

 Faltando-me as palavras, e faltam nesta era de desalento, não há-de faltar-me a fotografia. Aqui as deixarei, ao ritmo de uma por semana, é uma promessa. E é para cumprir. Assim não me faltem leitores…(“manif 2.0” – Avenida dos Aliados, Porto, durante a manifestação de 15 de Setembro de 2012)


arquitecto

Não fossem as lâmpadas e fios de cobre e estaria agora entre lápis e papeis. Não fosse o conjunto didático que recebi da minha mãe em tenra idade e estaria agora debruçado sobre um estirador. Não fosse a engenharia e seria provavelmente arquitecto.
Não sou, e por isso se foram os espaços, formas, vazios e volumes. Não totalmente, no entanto. É que, não me saindo das mãos, vão me entrando pelos olhos, não as fazendo de carvão, fixo-as em sais de prata. E estes, dispostos a preceito sobre um fino suporte de triacetato de celulose, chegaram-me pelas mãos do meu pai. Em bom tempo, pois graças a eles, graças a ele, guardo comigo portas, janelas, paredes, espaços, rampas, formas, escadas. Prevaleceu, no fundo, a engenharia oferecida pela minha mãe. A arquitectura, essa sobreviveu graças ao presente do meu pai…


Milton

Entrou casa adentro não teria eu mais de 6 ou 7 anos. Entrou ele, Chico, Gilberto, Bethânia, entraram todos, agora que se podia ouvi-los sem medo, agora que os tempos eram de liberdade. Entraram pretos, de vinil, exigindo rituais de limpeza e cuidados vários, antes de encherem a sala, antes de aplacarem a sofreguidão, sinal daqueles anos quentes. Saciada a fome, foram caindo pelo caminho, um a um, Gilberto, Bethânia, Simone. Chico, genial como poucos, manter-se-á para sempre na minha vida. Ele reaparecerá lá para 87, aprisionado numa cassete, habitando meu walkman, entretendo viagens de trem entre Coimbra-B e São Bento. Havia de voltar anos depois em forma de evocação, quando, pela primeira vez, nesse mítico bar na esquina da Aimorés com Maranhão, pedi um chopp que, ousaria dizer, serviu de água benta do meu baptismo Mineiro. Milton é pois meu padrinho. E foi a benção, o que lhe pedi ontem aqui, na cidade onde nasci. A ele que vagueou lentamente pelo palco, levitando sem lhe tocar, a ele de cuja presença duvidamos, tal o ar etéreo que o envolve, tal a distância que o separa da plateia dos mortais. Seria assim até ao final quando, descendo à terra, chegou perto o suficiente para se lhe ouvir um “Deus te abençoe”. Juro que ouvi, juro que era para mim…


slow down…


a fuga

Fugia a estas imagens, fugia de fotografias invasivas, fotografias que, corrompendo irremediavelmente o momento, o faziam parecer plástico, pouco autêntico, artificial. Impuro. Fugia de fotografias fáceis, clichés coloridos, com pores-do-sol, mares e areia, abraços ou contemplações. Mesmo da cor lhe apetecia fugir, dos tons quentes e alaranjados, das nuvens, coqueiros ou luas. Fugia. Mas não dali, não daquele momento. Daquele estrado de madeira apontando irremediavelmente o sol posto, daquela conversa cúmplice, daquele beijo adivinhado, daquele fim-de-tarde de um qualquer Maio, na Foz do Douro, daquele gigantesco pastiche não conseguiu ele fugir…


até breve…

É deprimente, a silly season do futebol Português.
Irritam-me as conversas sobre reforços messiânicos.
Não tenho paciência para torneios mais ou menos amigáveis.
Não suporto ver jogos a feijões.
Por isso parto. Por isso atravesso o Atlântico.
E, quando finalmente regressar ao velho continente, já se jogará futebol a sério.
Já a Supertaça terá dado que falar.
E da liga terão passado duas jornadas.
Suficientes para que a eterna esperança sportinguista comece a desvanecer.
Para que Villas-Boas ouça a primeira meia-dúzia de assobios no Dragão.
O ânimo Benfiquista, esse estará em alta.
Independentemente dos resultados. Imune a tudo.
E assim continuará até Maio, até ao Marquês…