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…difícil

Esta sim, é uma fotografia difícil. Escolher o local para fotografar, fugindo a redes e protecções, vencendo distâncias de segurança é apenas o começo de tudo. Na decisão de como captar o momento escolhe-se um de dois caminhos. O mais fácil que, escolhendo velocidades de obturação altas, congela não só o objecto como toda a cena. Ou o mais difícil que, prolongando perigosamente o tempo de exposição, dá ao fotógrafo momentos de vertigem, decisivos, fronteira entre uma boa imagem de um falhanço completo. Este é o meu caminho, o mais prazeiroso, o mais exigente, o que aproveitando o conceito de velocidade relativa, acompanha o carro na sua trajectória vertiginosa, tornando ao mesmo tempo toda a envolvente numa amálgama de cores fugidias. Este é o meu caminho, difícil e egoísta, repleto de prazeres solitários ocultos por uma imagem banal. De um carro rápido, de um piloto que, adorando a vertigem, é provavelmente o único admirador do resultado final de uma tarde solitária, a ver a banda passar…

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egoísta

Há fotografias que valem apenas pelo acto de fotografar.
Pelo prazer do fotógrafo.
Pela processo em si mesmo.
As escolhas, as decisões.
As dificuldades.
A concentração, a vertigem do momento.
O resultado, esse não prima pelo conteúdo.
Pela originalidade.
Não faz ninguém parar. Não faz pensar.
Não impressiona pela qualidade estética.
Jamais merecerá uma parede.
Não vai perdurar.
Esgotou-se no momento em que o obturador fechou.
Esfumou-se com prazer efémero do fotógrafo.
Há fotos assim, felizmente.
Simples e egoístas…

a técnica

A paixão pela fotografia chegou-me pela técnica.
Chegou-me pelo meu pai.
Que me explicou o que era o obturador e o diafragma.
Que é a combinação dos dois que nos dá a luz perfeita de uma imagem.
Uma das muitas combinações. Uma das muitas luzes perfeitas.
Nesses meus 10 ou 11 anos, as máquinas eram rudimentares.
Fotómetro era um luxo.
Dia de sol era para 1/125s-f11.
Núvens? Abre-se mais, f8 ou f5,6. Ou expõe-se mais tempo, 1/60s ou 1/30s, se a mão for firme.
Fotografia de desporto? 1/500s. Máquinas mais rápidas eram inatingíveis.
Hoje, encontramos com facilidade máquinas que disparam a 1/4000s. Ou mais.
Capazes de congelar o mais rápido movimento.
Um objecto a 150Km/h, por exemplo, percorre 1cm, durante a exposição de uma foto, a 1/4000s.
A 1/125s, percorre cerca de 33cm.
Fotografia tremida, por certo.
Ou não, se conseguirmos acompanhar o movimento do objecto fotografado.
Que aparecerá nítido, destacado do fundo, arrastado pelo movimento da máquina.
A subversão compensa.
Nem sempre a opção lógica é a que melhores resultados produz.
É assim, a fotografia.
É arte.