São João

Por estranho que pareça, existe uma estranha relação entre o São João, anos pares e futebol.
Para mim, pelo menos.
Sei-o desde 1984. Noite de São João.
Quando, no Caramulo, a sardinhada, baile, e tudo o que se exige neste dia, foram adiados para ver o Portugal-França.
Que seria um calmo “cumprir calendário”, segundo os Franceses.
Mas que Chalana e Jordão transformariam numa árdua jornada de trabalho.
Que terminou com o golpe de Platini, já no prolongamento.
12 anos depois, nova noite de São João.
Em custóias, casa da Sameiro, tradicional pouso na noite mais longa do Porto.
Televisão no pátio, animação ao rubro, sardinhas a pingar sobre as brasas.
Como pingou, o chapéu de Poborsky a Baía.
Qual orvalhada refreando os ânimos dos foliões…
O dia de São João, de 2004, seria de glória para Ricardo.
Ficarão na história aqueles minutos, em que Ricardo marcou e defendeu os penaltis decisivos desse Portugal-Inglaterra.
Como ficará na história, esse gesto simbólico de tirar as luvas para defender, de mãos nuas, o remate de Vassel.
Os Ingleses rumaram para casa.
Ricardo ganhou, nesse dia, o epíteto de Coração-de-Leão.
Desta feita quis a sorte que o jogo de Portugal fosse no dia 25.
Não é inédito.
Em 2000, dois golos de Nuno Gomes à Turquia, num jogo sem grande história.
Em 2006, jogo épico contra a Holanda, com nervos à flor-da-pele. Costinha foi expulso, Maniche marcou o golo da vitória.
Espera-nos o jogo com o Brasil.
Nesse dia de São Máximo de Turim, devoto confesso de São João.
Mas antes disso, celebre-se o Baptista.
Pinguem as sardinhas na broa.
Corra solto, o vinho verde-tinto de Ribeira de Pena.
E subam os balões.
Inchados pelo ânimo de sete golos…

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