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Catalunya

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(bife na frigideira com ovo a cavalo, Cervejaria Edmundo, Benfica, Lisboa)

Prometia ser Catalão, este final de 2012. Anunciava-se então a alvorada de um novo estado Europeu, esperava-se que a imparável vaga de fundo independentista reduzisse a escombros a unidade Española, via-se já Artur Mas, messiânico, clamando o irreversível caminho para a independência da Catalunya. Semanas depois e o ano voltaria a prometer uma inequívoca afirmação da superioridade Catalã, desta feita em Camp Nou, desta vez com os Culés entusiasmados com o tiki-taka a celebrarem a goleada ao Benfica. Com ou sem Messi esperava-se o massacre dos Portugueses que, quais bárbaros desvairados, correriam desesperados atrás da bola, propriedade exclusiva da equipa blaugrana.
Não foi assim e Artur Mas conseguiu uma vitória de Pirro, adiando a questão da independência para as calendas gregas, Não foi assim e o Barcelona seguraria um sofrido nulo frente a um Benfica apenas sofrível, adiando a afirmação do tiki-taka como sistema independente do onze em campo. Não é, não foi, senão a espaços e de forma absolutamente inofensiva. A confirmá-lo está a única defesa de Artur, a confirmá-lo estão os recorrentes falhanços de Lima, Rodrigo e Ola John, a noite tranquila de Melgarejo, a aventura de Luisão a ponta-de-lança. Assim se encaminha o ano para o fim. Com a Canaluña em España, como deve ser. Com o Benfica na Liga Europa, que é no fundo onde pode ter sucesso.

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nós somos futebol

(Enzo Pérez em Barcelos, by Luisa)

Há algo de entusiasmante neste Benfica. Algo de imprudente e ousado, urgente e desvairado. Algo que me faz lembrar o Benfica de 2009/2010, o primeiro de Jorge Jesus, o que será lembrado como o do renascimento. Dessa época lembro-me da vertigem, do tudo ou nada. Era a Liga ou a ruína, a glória ou o abismo. No campo brilhavam Aimar e Di Maria, Luisão e David Luiz. Cardozo marcava, com Saviola a seu lado. E brilhava Jesus, brilhava a dinâmica frenética, o ataque desenfreado, como se não houvesse amanhã. E talvez não houvesse, talvez fosse precisamente isso que estava em jogo. Houve, felizmente, e o escudo da Liga haveria de embelezar as camisolas berrantes no ano seguinte.

Duas ligas entretanto perdidas para o Porto, a última das quais de forma impensável, haveriam de fazer regressar tensão suficiente para que ganhar se tornasse essencial, bastante para por em causa a cabeça de Jesus. E de súbito a saída de Javi, e o adeus de Wit$el, de súbito nuvens negras sobre o centro do campo, de súbito o dramatismo de volta. A incerteza, o abismo ou a glória. E mais uma vez, entre eles, terreno fértil para a paixão. Para o futebol desregradamente ansioso. Para os riscos desnecessários de Melgarejo na esquerda, para  Ola John tão imparável como imprevisível, para um Sálvio bipolar na direita. Pelo meio o empurrão de Luisão que haveria de sobressaltar mais a nós, Benfiquistas, do que ao ridículo Fischer. Mas eis que tivémos Jardel então, oscilando entre o auto-golo de Moscovo e segurança tranquila  com que se passeou no resto do tempo. Eis que Lima surgiu, rapidamente justificando a passagem de incompreensível negócio a dor-de-cabeça para Rodrigo. Eis que da cartola Jesus tirou Enzo Pérez, passado de renegado a estrela improvável. Eis que o jogo volta a ser mais frenético do que consistente, mais histérico do que prudente. Como deve ser. Dissabores? Por certo que os teremos, provavelmente já em Camp Nou. Ou em Alvalade. Mas no fim, no fim vencerá o ataque desenfreado, o sentido único, os golos de bandeira. Vencerá o futebol, como deve ser. Vencerão as papoilas saltitantes.