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o caminho

foto slbPedia-me há dias, um amigo, mais posts sobre futebol romântico. Mas há outro tipo de futebol? Há outra forma de escrever sobre futebol? Há, agora me recordo, e foi tudo o que houve para mim durante demasiado tempo. Palavras vazias, estatísticas, polémicas, expressões que para mais não serviam do que para alimentar os jornais desportivos e um certo anedotário nacional. O que eu não via, de facto, era o futebol romântico escrito em lado nenhum. Tudo mudou quando conheci, primeiro o “Todos Nascemos Benfiquistas…” com as magíficas crónicas do Joel Neto, e depois próprio Joel. Só aí, só verdadeiramente aí descobri o mundo romântico das crónicas de futebol. Só aí conheci essa faceta de Nelson Rodrigues e Luis Fernando Veríssimo. Só aí me aventurei realmente a escrever sobre futebol. Romântico, claro. O certo é que  agora, passados muitos anos, não vejo outra forma de futebol, não vejo outra forma de escrevê-lo.
O meu futebol não é o das estatísticas nem das polémicas. O meu futebol é o das bancadas em festa, da veneração aos magos da bola, da paixão pelas camisolas berrantes. Das companhias, da cadeira ao lado, das mesas de café. O meu futebol é o que, embora imitando a vida, se recusa a seguir o caminho da depressão nacional.
O meu futebol é romântico, convencido de que todos nascem bons, que todos os clubes nascem de uma ideia generosa, que todos querem o seu bem, o bem do futebol. Mas que alguns, no entanto, se perdem pelo caminho. Perdem-se primeiro os  dirigentes, perdem-se os adeptos, vai-se perdendo o clube, vai perdendo o futebol. Mas nunca em definitivo. Cabe-nos a nós, os que vemos ainda o futebol romântico, o futebol como ele deve ser, os que somos futebol, mostrar aos outros o verdadeiro caminho. Por isso é essencial ganhar amanhã, na Luz. É uma obrigação, no fundo.

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segunda-feira, 21h30…

 

“(…)

O futebol é a tropa de uma geração que já não fez tropa – o momento em que nos protegemos todos uns aos outros, em que ninguém deixa cair ninguém. Não me venham dizer que é uma coisa sem importância, porque não é -é a única coisa que jogámos no 48k e no 386 e na PlayStation, o momento em que perdemos as estribeiras nestas vidas indolentes, uma coisa absolutamente séria. Certo, nós temos trinta, trinta e cinco, quarenta anos – a nossa oportunidade, provavelmente, já passou. Estaremos no nosso crepúsculo, no highlight of our twilight, sim – mas até ao final conservar-nos-emos aqui, prometo, à espera da nossa epifania, daquele momento em que algo descerá do céu, deus ex machina, e nos proporá: «Ainda queres tornar-te profissional?»

Nada acabou até ter acabado, amigos. E então preparamo-nos ao pormenor. Vestimos a roupinha toda. Compramos bolas Roteiro antes de ninguém, as botas Nike 90, as luvas do Oliver Khan. Ensaianos a finta do Zidane, o olhar dissimulado do Rochemback, a celebração do Pauleta – e tornamo-nos conhecidos por elas, cada um de nós por uma delas.

(…)”

Joel Neto

Para o Hugo, Henrique, Mário Miranda, Mário Dias, Filipe e Zé.

Pela noite de ontem.

E pelas melhores noites de segunda-feira que já passei.