Posts tagged “Gaitán

perdimos, amigo, perdimos…

luz

“Perdimos, amigo, perdimos”
Disse-o Gaitán, frustrado, depois de um qualquer jogo particular, desta pré-época desastrosa. Podia tê-lo dito ontem, para aplacar a decepção, para controlar a ira. Disse-o e sentiu-o, e ao fazê-lo, confirmou o que o tempo me vinha dizendo. Que Gaitán é um jogador maior, um dos nossos. Lembro-me dessa longínqua silly season, que nos trouxe Gaitán e Jara. Após os primeiros jogos, ou pré-jogos, vá, sentenciei que Jara era jogador, Gaitán seria no máximo um brinca-na-areia. Disse-o, indignando Luísa, minha filha, que se encarregou ao longo destes anos, de me lembrar tamanha gaffe. Fê-lo a cada toque de génio, relembrou-o a cada passe perfeito. “blá-blá-bla, e o Jara é que era, e blá-blá-blá”. Ouvi-o depois do golo em Belém, depois do passe para Cardozo contra o Man’U, ou a selar aquela jogada do golo de Lima a Patrício, naquela que foi talvez a mais bela jogada a que assisti.
“Perdimos, amigo, perdimos”, é o lamento que queria ter ouvido ontem na boca de todos os jogadores, de todos os profissionais, de todos os Benfiquistas. E que fosse sentido, que fosse envergonhado, que fosse visceral. Não aquele baixar a cabeça, e dizer que agora é trabalhar para melhorar, que foi apenas um jogo. Não foi, foi uma derrota, que diabo, e foi uma derrota que expôs uma falta de atitude, falta de empenho e de vontade que me preocupam. Preocupam dentro do campo e preocupam-me fora dele.
Perdemos, amigos, perdemos…


Special Photo Challenge: Inspiration

Sim, é o futebol a minha inspiração. Foi o futebol a inspiração para a criação do blog, foi o futebol o motivo para começar a escrever. Como haveria de ser o futebol o motivo para voltar à “lanchonete” sempre que tudo o resto falhou. Como será o futebol a fazer-me voltar, sempre que tudo o resto soçobrar. E sim, é paixão o que me faz escrever sobre futebol, é paixão o que me leva a sentar nas bancadas da Luz, é paixão o que me faz sair de casa faça chuva ao sol até ao café mais próximo. Para saltar com os golos de Cardozo ou Lima, os passes de Gaitán ou a magia – sim, é magia – de Aimar. É pois o futebol, mais do que a minha paixão, a minha inspiração…

(nota: o desafio consistia em usar uma foto do blogger fazendo algo inspirador. Eis a explicação para a ridícula imagem acima…)

outros posts sobre futebol e paixão…

Braga

Mengo

it ends tonight

o Açor

a primeira vez


o convite

Já o nervosismo se havia instalado quando recebi o convite. Faltavam 24h para o clássico, para o jogo pelo qual se espera todo o ano, para o jogo que faz baixar nas ruas da invicta aquele nevoeiro tenso e opressor. Esbarrou numa promessa, esse convite, esbarrou na vontade de dividir as emoções com a Luisa. Tristezas ou alegrias. De lhe explicar a imortalidade contida no passe de Aimar, na segurança de Luisão, no pé esquerdo de Cardozo. De vibrar com a genialidade intermitente de Gaitán, de aceitar finalmente que talvez seja este o seu momento, talvez seja este o ano que lembraremos para sempre como aquele em que o nº20 lhe caiu bem. Depois de Simão, depois de Di Maria. O ano em que Nicolás deixará finalmente de ser uma promessa, qual célula estaminal, para assumir uma qualquer função que desempenhará com garbo durante longos anos. Que comece amanhã, no Estádio do Dragão. Que me faça orgulhoso do convite recusado. Que faça tremer o café do Sr Coutinho, que levante finalmente o nevoeiro que agora baixa sobre o Porto. Que mereça a admiração da Luisa.