do balneário

A saída do estádio, naquela tarde de Domingo, fazia-se cabisbaixa. As bancadas esvaziavam-se com ritmo tristonho, o caminho até ao parque de estacionamento assemelhava-se perigosamente a uma via sacra. O jogo, esse até tinha começado bem, com o Salgueiros a dominar a acessível equipa do Nogueirense. O intervalo chegava com uma vantagem de três golos, que deveriam ser suficientes para sossegar a Alma. O pior, como sempre, viria depois, com a proverbial tendência para o sofrimento que só um clube grande conhece. O pior, como sempre, chegava com o já conhecido gosto pelo abismo, característica intrínseca do Salgueiros, como de todos os clubes históricos. O Nogueirense, que continuava tão insípido como antes, via-se agora a chegar aos 2-3. E com ânimo para mais.

O jogo, esse arrastou-se até ao fim, por entre roer-de-unhas, nervoso miudinho, descrença q.b. e a incómoda suspeita de que o caminho, estreito e íngreme, talvez seja empresa demasiado pesada para um Salgueiros que teima em renascer. E, nem a vitória arrancada a ferros, era bastante para animar os Salgueiristas que deixavam o estádio pensativos, perguntando-se se algum dia seriam recompensados pela esperança que teimam em alimentar. Talvez a vitória, escassa e sofrida, não fosse resposta suficiente. A resposta, essa insinuou-se disfarçada num rumor que saía pelas estreitas janelas do balneário, um cantarolar alegre onde era possível reconhecer o ritmo do cântico que mais cedo tinha ecoado na bancada.

Ao teu lado desde sempre…

As palavras, essas chegavam imperceptíveis, abafadas pela humidade do balneário, ritmadas pelo suor das camisolas rubras, pela alegria da vitória.

este é o meu lugar…

E de súbito voltaram sorrisos aos que passavam, e de súbito a via sacra transformou-se em ressurreição. Sim, se os miúdos acreditam, quem somos nós para duvidar? Se os miúdos que sofreram dentro de campo, que ouviram aplausos e assobios em doses iguais, que foram louvados e quase crucificados creem na justeza do sonho, quem somos nós para nos deixar abater? E do nada a certeza, a absoluta certeza de que sim, o caminho é estreito e íngreme. Mas de que se há em Portugal clube capaz de o trilhar, é o Salgueiros, se há em Portugal adeptos incapazes de desistir, são estes, cheios de Alma. Alma Salgueirista.

onde jogares estou presente,

só para te ver ganhar!

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O tambor

Ao teu lado desde sempre, Este é o meu lugar… O tambor? É velhinho, sim. Já vem dos tempos de Vidal Pinheiro. Preso à vedação do campo está o velho tambor, cheio de autocolantes e com a pele remendada, sinal de outras batalhas, de demasiadas batalhas. O jogo está calmo agora, é hora de aproveitar a pausa para disfarçar, com mais uma tira de fita adesiva, o som roufenho causado por anos de bons serviços. Há algo de místico na batida de um tambor. Sabêmo-lo, a humanidade sabe-o há milénios. Seja em tempo de guerra ou de paz, em festas pagãs ou religiosas, o tambor é presença imprescindível, qual coração que marca o ritmo, que dá vida. Um estádio de futebol, território de guerra e paz, de crença e de festa, não haveria de ser excepção.Por isso, reparado o tambor e retomada a batida, as bancadas acordam e respondem …Onde jogares eu estou presente… Dentro do campo o jogo acelera. Sim, é essa batida que dá o mote para as bancadas, é esse ritmo que marca o jogo, lá dentro das quatro linhas. É esse tambor que transporta o saudoso Estádio Vidal Pinheiro país fora, é nessa batida que os jogadores procuram o caminho da baliza adversária. A cada toque, a bola avança, a cada rufar os adversários tremem …Só para te ver ganhar… rematam as bancadas. Finalmente o golo, o delírio, a vitória. E mais uma marca no velho tambor dos tempos do Vidal Pinheiro, desse velho tambor onde mora a Alma Salgueirista.

Salgueiros, o Grande

0-2. Ainda vamos perder isto. Tinham-se passado apenas 15 minutos, e o Salgueiros já ganhava por 0-2 em casa do Canidelo. Vamos perder isto, insistia. Tinha ares de quem sabia do que falava, de quem vivera glórias e desventuras do Salgueiros. Todas elas, dos tempos da primeira divisão, até ao quase desaparecimento. Enchemo-nos de esperanças na pré-época, e depois é isto: sofrer, sofrer, sofrer.

1-2. Eu não disse? Estava-se mesmo a ver. Parece que não sabem jogar. Aquele ali jogou no Boavista, chegou aqui e parece que desaprendeu. Aqueloutro veio do Famalicão. A mesma coisa. Sabe como é, esta camisola pesa muito. No Nacional, na Distrital, o nosso Amor é sempre igual, ouvia-se nas bancadas.  

2-2. Encolheu os ombros como se soubesse do golo mesmo antes de acontecer. Encolheu os ombros sem réstia de surpresa pelo empate, certamente meio caminho para a derrota. Mais uma, tão certa como inevitável. Esta camisola pesa muito.  

2-3! Sorri timidamente com o golo da vitória, ao cair do pano. Como se soubesse desde o início que a vitória era apenas uma questão de tempo, de que aquele sofrimento, aquela quase derrota não passava de um teste à sua Alma Salgueirista. É esta camisola, pesa muito…

Há qualquer coisa de clube grande neste Salgueiros. Talvez seja esta bipolaridade, o estranho gosto pelo abismo, pela vertigem. Talvez seja este sofrimento por antecipação, a sensação de que o Universo nunca será justo, a certeza de estar sempre mais perto da derrota do que da glória. E apesar disso saber que a vitória é certa, e que será sempre justa. A tendência para o derrotismo e para a depressão, enquanto secretamente se alimentam as mais altas expectativas. Sou Tripeiro, de Coração, Ó Salgueiros, o meu Campeão, ecoa nas bancadas. Há, afinal, muitas coisas de grande neste Salgueiros. Porque de facto, o Salgueiros é grande, um dos Grandes de Portugal. No Nacional, na Distrital, o nosso Amor é sempre igual

Sexta é às 9, no Canidelo.

Dona Deolinda tem 86 anos. No próximo mês, acrescenta. Mais de metade de Salgueiros, diz. 44. Dona Deolinda sorri, apesar da derrota iminente. Para a próxima vai ser melhor, mas o árbitro não ajudou, hoje. Posso tirar-lhe uma fotografia? Se quiser pode, é consigo. Dona Deolinda tem 86 anos, no próximo mês, 44 de Salgueiros e não é agora, ao fim de tantos anos, que vai desistir. Na próxima sexta à noite é no Canidelo. Joga o Salgueiros e Dona Deolinda vai lá estar. Afinal são 44 anos de Salgueiros. 86 de vida, no próximo mês.

O desânimo paira sobre as bancadas vestidas de vermelho. Reduzido a 10 desde a primeira parte, o Salgueiros vai perdendo por 2-3 com o Foz. Não era a estreia que esperávamos, todos. “Isto é a Distrital, não é para jogar bem, foda-se. Chuto prá frente, e tudo a correr, caralho!”. E no entanto o jogo aproxima-se do fim, com o Salgueiros a perder. Sim, o desânimo ronda insistentemente camisolas vermelhas, cachecóis e bonés, esperando o melhor instante para se instalar na Alma Salgueirista. Sem sucesso, que isto é o Salgueiros, habituado a sofrer. E a resistir. Sim, a Alma Salgueirista não desiste, e se esta não é a estreia que esperávamos, há que levantar a cabeça e olhar em frente. Ainda o jogo não tinha terminado e já se ouvia nas bancadas: É na sexta no Canidelo, às 9 da noite. É às 9, no Canidelo. Sexta-feira. Às 9. Lá nos encontramos, que isto de desistir não é para o Salgueiros.

Fran

Fran é Basco. De Bilbao. Fran é adepto do Athletic e tem como sobrenome Salgueiros.

Francisco Xabier Salgueiros Herrera.

Fran veio ao Porto para conhecer o Salgueiros, o Sport Comércio e Salgueiros. De passagem para a Galiza, disse, onde visitará familiares. Depois de vaguear entre a antiga sede do clube, na Rua Álvares Cabral, o buraco das escavações onde um dia seria o novo Estádio e as ruínas do mítico Vidal Pinheiro, Fran chega finalmente a Campanhã, a nova casa do Salgueiral. E é aí que, entre copos de  cerveja e amena conversa, vê a equipa sénior vencer o Aliança de Gandra. É aí que, entre velhas glórias e jovens adeptos, promove a inesperada amizade entre clubes míticos. Salgueiros e Athletic.

Fran leva belas recordações, fotografias com toda a equipa do Salgueiros e uma bandeira do Athletic assinada por todos os jogadores. 

Fran leva o Salgueiros no coração. No nome já o tinha. 


Rubinho

Na última vez que falei com o Rubinho, prometi-lhe que iríamos à Luz ver o Benfica. Que nos emocionaríamos com o voo da Águia e com a estátua de Eusébio, que talvez parássemos no Alto dos Moínhos, para uma bifana e uma cerveja. Talvez. E que certamente sentiríamos aquele frio na barriga ao finalmente avistar o relvado, ao ouvir o hino.

“Ser Benfiquista é ter na alma a chama imensa…”

Rubinho tinha essa chama imensa. Esse peito aberto com que enfrentou  desventuras várias, com que enfrentava mais uma vez a doença que voltava a fechar o cerco. Rubinho era do Atlético Mineiro, o clube que escolhi como meu, quando a hora de decidir chegou. Escolhi-o por ser o time da massa, o clube popular, sem distinção de classe ou cor. Como o Benfica, no fundo. E talvez tenha sido por isso, por essa semelhança, que o Rubinho caiu de amores pelo Glorioso. Por isso lhe prometi que sim, que iríamos juntos à Luz.

Anos antes foi o Rubinho quem me levou ao Independência, em Belo Horizonte, para ver Ronaldinho Gaúcho jogando com a camiseta do Atlético. Ronaldinho, já na fase descendente da sua carreira, chegara ao Horto meses antes, provocando uma pequena revolução no clube. O Atlético navegava em águas agitadas há largos anos, oscilando entre o meio da tabela do Brasileirão, e a angústia das últimas jornadas. Tinha, inclusivé, militado na Série B recentemente. A chegada do Génio elevou de forma espectacular o nível de exigência e ambição, do que resultou uma campanha épica na Taça dos Libertadores da América, que acabou por conquistar. Foi com ele, com Rubinho que ,nas bancadas do Horto, vi o génio de Ronaldinho, o toque de bola, a finta de corpo, o gingado. E o sorriso, sobretudo esse sorriso que era a sua imagem de marca.

Era justo, pois, que tivesse retribuído o gesto, que lhe tivesse mostrado Jonas, o toque de génio de Jonas, a inteligência, a visão de jogo. O golo. Que tivéssemos trocado um abraço aquando de um qualquer golo de Jonas.

Hoje começa para o Benfica a época 2019/20. Sem Jonas, que resolveu que era chegada a hora de parar. Mas sobretudo sem Rubinho.

perdimos, amigo, perdimos…

luz

“Perdimos, amigo, perdimos”
Disse-o Gaitán, frustrado, depois de um qualquer jogo particular, desta pré-época desastrosa. Podia tê-lo dito ontem, para aplacar a decepção, para controlar a ira. Disse-o e sentiu-o, e ao fazê-lo, confirmou o que o tempo me vinha dizendo. Que Gaitán é um jogador maior, um dos nossos. Lembro-me dessa longínqua silly season, que nos trouxe Gaitán e Jara. Após os primeiros jogos, ou pré-jogos, vá, sentenciei que Jara era jogador, Gaitán seria no máximo um brinca-na-areia. Disse-o, indignando Luísa, minha filha, que se encarregou ao longo destes anos, de me lembrar tamanha gaffe. Fê-lo a cada toque de génio, relembrou-o a cada passe perfeito. “blá-blá-bla, e o Jara é que era, e blá-blá-blá”. Ouvi-o depois do golo em Belém, depois do passe para Cardozo contra o Man’U, ou a selar aquela jogada do golo de Lima a Patrício, naquela que foi talvez a mais bela jogada a que assisti.
“Perdimos, amigo, perdimos”, é o lamento que queria ter ouvido ontem na boca de todos os jogadores, de todos os profissionais, de todos os Benfiquistas. E que fosse sentido, que fosse envergonhado, que fosse visceral. Não aquele baixar a cabeça, e dizer que agora é trabalhar para melhorar, que foi apenas um jogo. Não foi, foi uma derrota, que diabo, e foi uma derrota que expôs uma falta de atitude, falta de empenho e de vontade que me preocupam. Preocupam dentro do campo e preocupam-me fora dele.
Perdemos, amigos, perdemos…

Outubro Vermelho

aimar 01 1280Era Outubro, era um fim-de-semana chuvoso que havia de se interromper para dar à nossa noite, à noite do Benfica, aquele cheiro de relva molhada que antecede os grandes momentos, as inesquecíveis noites. Entrámos na Luz, e nunca o seu nome me pareceu tão poético, tão apropriado para justificar o olhar brilhante de Luísa ao ver lá em baixo o relvado iluminado, ao ouvir aquele burburinho motivado pela excitação do momento, pela proximidade de nos encontrarmos com o objecto último da nossa paixão, por estarmos finalmente em casa. Sim, era a primeira vez da Luísa, era Outubro, e ali, no relvado, a escassos metros aquecia a equipa, David Luiz, Saviola e Gaitán. Luisão, Javi e Coentrão. E Pablo. Era Outubro, e não tardava a ouvir-se, a cantarmos o hino do Glorioso, não tardava e a camisola 10 subiria ao relvado. Pablo Aimar era daqueles jogadores que admirava profundamente, daqueles jogadores que nunca imaginara ver com a camisola berrante. E no entanto ali estava ele, espalhando magia como poucos, jogando como nenhum. E Luísa, incrédula por estar na primeira fila, mal contendo a emoção de cada vez que ali passava David Luiz ou Coentrão, de cada vez que Gaitán subia à linha sem imaginar, sequer, que um dia seria dele aquela camisola 10. Aimar não precisava de se aproximar da linha, a Aimar não se pedia senão que jogasse, a Aimar bastava ser ele próprio, o génio que um dia impressionou Maradona, o virtuoso que inspirou Messi. A Aimar bastava ser Aimar, e vê-lo ali, com a camisola do Benfica era sonho realizado. Fazê-lo com Luísa, sua filha, a seu lado, era mais do que qualquer um poderia pedir.
Era Outono, e foi aquela a primeira vez que vi, que vimos Pablo, e que nos encantámos com ele. Hoje, em pleno cacimbo, soube que não mais sentirei essa excitação infantil de vê-lo com uma bola nos pés. Mas o encanto não cessou. E não cessará nunca, por mais Outonos que passem, por mais invernos que se lhe sigam. Não cessará, simplesmente.

(Para o Capareira, que hoje completa cerca de diversos anos de vida, amigo e companheiro de Benfiquismo, responsável, entre outras coisas, por me fazer vencer hoje a preguiça e dedicar umas palavras ao Pablo Aimar…)

Agostinho

people agostinho 2 1501 xq1 30x20 colourAgostinho é do Panguila. Agostinho é segurança, Agostinho guarda um terreno imenso junto à praia deserta, a sul de Luanda. Há-de ser um resort, certamente, será um resort quando o turismo for finalmente aposta em Angola. E é Agostinho que o guarda, que zela pelos 60 hectares de terreno junto ao grande Atlântico. 24 horas por dia, durante 15 longos dias, durante duas semanas ininterruptas que passará ali, no enorme terreno junto à bela praia deserta. Agostinho aproxima-se, ao chegarmos, para pedir cigarros. Não temos. Dá cem quanza só, eu compro. Agostinho há-de aproximar-se outra vez, timidamente, ao ver a bola sozinha no areal. Enquanto isso, mergulhamos no quente Atlântico na deserta praia de fim de tarde. Agostinho ensaiará toques na bola, com pesadas botas militares, agora cheias de areia. Agostinho aguarda pacientemente um companheiro, alguém a quem passar a bola, alguém com quem trocar toques de habilidade, sem largar o cassetete, mas com um largo sorriso nos lábios. Agostinho, o segurança, há-de sentir-se criança perante a bola nova, perante a possibilidade de brincar com ela, com a bola. Sentir-se-á craque e terá a certeza de que, tivesse estado no relvado do 11 de Novembro, meses antes, e Angola estaria agora no CAN. E todo o país em festa. E talvez reparassem nele. No remate em arco que agora ensaia, e certamente rumaria à Europa. Talvez até para o Benfica. E o Panguila ficaria para trás, tornar-se-ia recordação e saudade, que evocaria a cada golo marcado. Agostinho passará 15 longos dias e 15 escuras noites a dormir ao relento, ao lado da sua AK. A sonhar, talvez. Depois regressará ao Panguila. 

Bernardo

bernardoMais de um ano se passou sobre o dia em que um amigo Benfiquista me pediu que escrevesse umas linhas sobre futebol romântico Que fazia falta na página, que ali cerravam fileiras e clamavam contra o que estava mal no nosso Benfica, e era muito, e que esqueciam um pouco esse romantismo de que o futebol é feito. Acedi, honrado. Nunca me faltou romantismo no que ao Benfica diz respeito, pelo contrário, sempre me sobrou paixão, que partilhei, com amigos, com conhecidos, com a minha filha. Assim, foi, e acabei por escrever palavras sentidas, sobre Eusébio, Coluna ou Cardozo. Depois a vida. E a vida entendeu colocar 7000km entre mim e Luísa, minha filha e companheira de paixão, companheira de futebol, desse que se joga com o coração aberto. E o romantismo deu lugar à saudade. À mágoa, até. E as palavras foram-se tornando escassas. O silêncio foi-se assumindo, pese embora os sucessos desportivos. Saiu Cardozo e calei-me. Saiu Rodrigo e nem palavra me saiu. Garay e Enzo. Silêncio. Agora Bernardo. Mas vender Bernardo não é simplesmente vender Bernardo. Vender Bernardo, agora, é crime lesa-Benfica. Bernardo é aquele rapaz a quem foi permitido cumprir um sonho, a Bernardo não o vemos como um fora-de-série, não como uma estrela, Bernardo é um de nós. Bernardo Silva é nosso conhecido, amigo e até primo distante. Bernardo somos nós e Bernardo é o nosso Benfiquismo personificado. Bernardo é a secreta certeza de que, tivéssemos sido bafejados pela sorte, e poderia ser nossa a fotografia da criança com a camisola do Benfica que cumpriu um sonho. Vendê-lo, vender Bernardo é vender o nosso Benfiquismo. Vendê-lo é matar irremediavelmente uma parte da paixão que nos une ao Benfica. Que é infinita, bem sei, mas que se sente substancialmente diminuída com este rude golpe. Vendê-lo, por quinze, trinta ou duzentos milhões, é tornar o Benfica mais pobre, mais triste, mais cinzento. É tornar-nos, a nós, menos Benfica. É apagar um pouco a chama imensa. Tristes, estes dias. Para nós. E para Bernardo, certamente.

(publicada na página “Ontem vi-te no Estádio da Luz” ontem, dia 21 de Janeiro de 2015)