Santa Trinitá

Começou por ser a estátua, o objecto da fotografia, a estátua que, rematando a Ponte de Santa Trinitá coincide com o local onde Dante viu Beatrice. Começou por ser ela o alvo, com a sua alvura e delicadeza. Mas depressa o olhar foi abrindo para os turistas que, ignorando a sua beleza, admiram a fotogénica Ponte Vecchio. Acompanhou-o o zoom, fixando o instante em que os olhares se dividem, em que nenhum admira a Primavera de Pietro Francavilla. Apenas o do fotógrafo.    

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Firenze



Chegara só.

Chegara a Santa Maria Novella, chegara sem vontade de estar sozinho.

Mas era o que tinha à sua frente: Firenze e dois dias solitários.

O hotel delle nazioni era a perfeita medida para um.

As ruas, essas anunciavam-se estreitas e intrincadas, dispensando rumo, desprezando planos.

Assim as percorreu, vezes sem conta, de dia e de noite, atravessando o Arno e voltando a atravessá-lo. Circundando o Duomo, perdendo-se pelas vielas.

Sozinho, em Firenze, descobriu companhia em todas as Nastro Azurro que bebeu na Pizzeria del Duomo. Acompanhando Dante, contemplando Beatrice na Ponte Santa Trinitá. Apaixonando-se irremediavelmente pela obra-prima de Giambologna, na Loggia Dei Lanzi.

Ao sentir-se reconfortado pelo tardio almoço no surpreendente i Matti di Firenze.

Ou quando no Duomo recolheu a companhia de um ramo de oliveira, nesse domingo de Ramos.

E só quando a estadia se encaminhava a passos largos para o final se voltaria a sentir sozinho.

Definitivamente só, esmagado pela fotografia dos irmãos Alinari, nessa inesperada visita que marcaria toda a viagem.

Como sozinho chegou a Santa Maria Novella para deixar a cidade.

Já com saudade…

ratto delle sabine

Representando uma cena do Rapto das Sabinas, episódio lendário da fundação da cidade de Roma descrito por Livio e Plutarco, esta peça de Giambologna pode ser vista em Firenze, na Loggia dei Lanzi. Impressiona. Pela sua beleza e expressividade. Mas também por manter uma notável coerência quando observada praticamente de qualquer ângulo.

Encontrei-a em 2008, vagueando pelas ruas Fiorentinas. Encantado pela impressionante beleza da escultura, voltei a ela nos dias seguintes, fotografando-a quase obsessivamente. De dia e de noite, sob diversas perspectivas e ângulos. 

Para já deixo esta foto. Não é a única. Não será a última.