Posts tagged “Feijão Tropeiro

Emporium

Ao Emporium Mineiro chega-se subindo a Afonso Pena, subindo a Serra do Curral. Ao restaurante chega-se por um acolhedor beco ladeado por típicas construções mineiras, um bar convidando à prova de cachaças, um armazém, levantando a ponta do véu para a típica cozinha mineira que se avizinha. Ao fundo, a sala, acolhedora e informal, telheiro assente em paredes cheias de recordações do passado ou vislumbres do futuro. Ali convivem fotografias antigas, portas pesadas com prateleiras cheias de ovos de codorna, pimenta de bico prometendo encantos futuros, ou enormes tachos por onde passaram as muitas compotas e doces que ali nos esperam. Às mesas, enormes e convidativas, chega em primeiro lugar o papo solto, seguido da generosa cerveja Bohemia, solta também, acompanhada aqui e ali por cachaça bem mineira. O obrigatório pão-de-queijo e o irresistível torresminho fazem o seu caminho até à mesa, onde solta segue a conversa. Depois o perfeito e omnipresente feijão tropeiro que, quando acompanhado por um belo pernil assado, merece a classificação de património imorredouro da humanidade. Para fechar, doce de leite, queijo minas e um indescritível doce de goiaba que, imagino, terá passado por sábias mãos mineiras guardiãs de segredos que circulam entre gerações desde os tempos de Curral D’El Rei. Por fim, ainda rolava solta a conversa, impôs-se o aromático café recém-passado, que quero crer vindo do norte de Minas, pedindo o muito Português hábito do cheirinho. Desta feita com um pouco da honestíssima Vale Verde, encerrando em beleza o almoço. Já na rua, na Afonso Pena, já o sol se preparava para desaparecer, tornando dourada a Serra, e ainda a conversa não dava sinais de fraqueza. Mas a hora era de descer rumo ao centro, passando por ipês floridos, vendo ao longe os despojos do dia, restos da feira que anima a cidade, todos os domingos de manhã…

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Dadá Maravilha

Foi sem esperar nada mais do que um prato de feijão tropeiro que entrei no Mineirão, naquela noite de Agosto.
O Atlético atravessava, sob o comando de Leão, uma fase deprimente, daquelas que só aos clubes míticos se permitem.
O jogo era um Atlético – Corinthians, que não prometia mais do que isso: um prato do lendário tropeirão que só se encontra nessa catedral do futebol Mineiro.
A companhia, meu cunhado Marcelo, Cruzeirense, Diniz e André, Corinthianos…
Começou bem a noite, com a ansiada iguaria e dois dedos de animada prosa.
Mas, já se sabe, entrar num estádio é como embarcar na enterprise rumo ao desconhecido.
E a certeza de que o que começava ali era uma memorável noite de veneração ao futebol, surgiu, pairando no ar que nem helicóptero, levitando feito beija-flor.
Dário José dos Santos, com microfone na mão flutuava sobre a multidão, escolhendo os eleitos para uma breve conversa.
Não terá sido a cruz de malta com as quinas que ostentava ao peito que o atraíu até mim.
Não. A estatura de ídolo confere a Dadá imunidade à gravidade e a símbolos terrenos.
Já o nº 10 nas minhas costas, quando associado ao nome de Rui Costa, tem pouco de terreno.
Tenha sido essa combinação mágica ou o simples acaso, Dadá Maravilha foi trazido até mim, para uma conversa de 30 segundos.
Que apenas me deu a certeza de que os magos do futebol existem de facto.
O jogo?
5-2 para o Galo, com direito a um emocionado abraço do companheiro da fila da frente por cada golo alvinegro.
Abraço a mim, a Marcelo, Diniz e André, que, resignados o aceitaram de braços abertos.
É assim. É terrritório mágico um estádio de futebol…
(11/07/2008)