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O meu, o nosso Benfica…

28042011493O Benfica de Eusébio é o meu Benfica. É, aliás, o Benfica de todos nós, benfiquistas ou não. É o Benfica que nunca desiste, que nunca se dá por derrotado, que sobretudo nunca se dá por perdido.
O meu, o nosso Benfica é o que não esqueceu Mantorras na infeliz hora da despedida. Não o que lhe fez uma despedida vazia, não o que foi incapaz de lhe dar um minuto sequer, no ano do 32° título de campeão.
O meu, o nosso Benfica é o que trata todos os jogadores como seus, por nascimento, criação ou adopção. Não o que os  abandona na Roda de outrora, hoje sob forma de empréstimos ad eternum.
O meu, o nosso Benfica é o que venera Deuses e mitos, em campo, nas bancadas, na memória, no coração. Não é que se apressa em prometer efígies em camisolas e anos de luto. Ou nomes em estádios, pavilhões ou centros de estágio.
Não é o meu Benfica, não é certamente o de Eusébio. E se, mesmo que por breves dias, nos esquecemos disso, não lhe fazemos honra. A Eusébio ou ao seu Benfica. Ao nosso.


Eusébio e Fehér

 

Longínquo, aquele futebol de bolas pesadas, de golos de bandeira, de vida ou morte, filmado com o dramatismo do preto e branco, relatado com emoção nas rádios de onda curta, contado pelos nossos pais como se de uma epopeia se tratasse. Eusébio era desse futebol, tornado belo à custa de muito sangue, suor e lágrimas. Nunca vi Eusébio jogar, e as imagens que hoje vejo, desse futebol longe das jabulani e roteiros perfeitamente esféricas e cheias de hologramas quânticos de Mylar, longe da estética do futebol moderno, parecem-me estranhas, distantes, de outro planeta com gravidade insuportavelmente diferente da terrestre. Mas foi nesse futebol, nesse planeta que Eusébio foi rei, incontestadamente rei, unanimemente rei, de Portugal, de todo o “mundo Português”. Mais do que isso Eusébio foi do Benfica, é do Benfica e morrerá no Benfica. É património nosso e é inalienável. Completa hoje 69 anos, e recebe merecidamente o meu sincero desejo de vida longa ao Rei…

Em dia de efemérides, recordo uma outra, dramática, recordo aquele domingo à noite em que o café do Sr Coutinho se calou, rendendo-se à tristeza do pior jogo de sempre, do mais triste. Encaminhava-se para o fim o Guimarães-Benfica, quando no D. Afonso Henriques Fehér esboçou o último sorriso antes de cair inanimado. O que se passou a seguir não tem descrição. Simão, Tiago e Camacho em lágrimas, silêncio e estupefacção, deste lado da TV. Tive a sorte de ter assistido ao seu último golo, no Estádio do Bessa algumas semanas antes, e apesar de não ser devoto do Húngaro lembrarei para sempre esse momento histórico. Não era um ídolo, Fehér. Mas morreu como um.