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Coimbra



Andámos desavindos, eu e Coimbra.

Por muitas razões, concretas, imaginárias, irracionais, mas estúpidas todas elas.

Porque Coimbra foi importante demais para mim, para que a possa esquecer, foi demasiado central na minha vida, para que possa simplesmente passar ao lado.

Mais tarde ou mais cedo tinha que voltar a olhar para ela.

Aconteceu quando o trabalho me levou pelas escadas do Quinchorro até à Couraça de Lisboa. Quando subi pelo jardim da Manga até a Couraça dos Apóstolos, descendo daí até o arco de Almedina.

E foram estes vestígios da fortificação Coimbrã que sobreviveram à deriva megalómana do Estado Novo, às demolições dos anos 40, e ao desnorte urbanístico que se seguiu, que me devolveram Coimbra.

Simplesmente porque resistiram à irracionalidade, ao esquecimento.

Como Coimbra resistiu ao meu descaso, esperando a oportunidade de voltar a ser minha…

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super bock

Chegou-me às mãos o livro “99 cervejas +1”, de Francisco José viegas.
Das mãos de um bom amigo.
Com copos de cerveja, de permeio.
Vieram-me então à ideia as cervejas da minha vida.
A Super Bock com que começava as noites de terça-feira, no Académico em Coimbra.
Ou a Topázio com que a encerrava, invariavelmente.
Pelo meio uma mesa naquele primeiro andar onde mal cabíamos em pé.
Mas onde cabia o Jorge Lopes.
Onde cabiam todas as conversas do mundo.
Nessa mesa onde não coube Deus. Onde me conheci como ateu.
Onde se sentava, em horas tardias um miúdo com sono e com pensos-rápidos para vender.
Depois o tempo, que tudo arrasta.
Deixei Coimbra, para regressar ao Porto
O Jorge rumou a Évora, via Funchal.
Do Académico só resta o nome. E um daqueles cafés, assépticos e aburguesados.
A Super Bock há muito deixou de ser aquela cerveja bairrista e nortenha.
A alta de Coimbra ficou vazia.
A Praça da República deixou de ter o encanto de outrora.
E a Topázio, essa desapareceu, simplesmente.

Levando com ela o meu ateísmo convicto…