Braga

Quis o acaso que descobrisse este post hoje. Quis o destino que o lesse horas antes de mais um Benfica-Braga, o mais decisivo dos últimos anos. Quis o destino que a primeira visita da Luisa à Luz tivesse sido nesse longínquo Outubro de 2010, precisamente para um Braga-Benfica. Quis o destino que o golo de Carlos Martins tivesse sido selado com um abraço de pai e filha, desses que não esqueço. Que ninguém esquece. É tarde, hoje. Caso contrário rumaria a sul sem demora. Entraria apressadamente com ela na Luz. Mesmo a tempo de comemorar o golo de Cardozo com um desses abraços capaz de se congelar no tempo, de congelar o próprio tempo. Que me acompanharia vida fora. Que nos acompanharia vida fora. É tarde, mas haverá abraços no café do Sr Coutinho, celebrando os golos do Benfica, claro, mas celebrando sobretudo essa paixão por futebol. Partilhada, como todas as paixões devem ser…

(Este post vai para o Capareira, alentejano na Terceira, Benfiquista como poucos…)

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a dois

Começou bem, a semana, com o melhor Benfica de que me lembro, reduzindo, numa primeira parte asfixiante, o Guimarães de Machado a uma insignificância. Com Sidnei remeter o resto da memória de David Luiz para Londres, com Aimar a justificar o porquê de ser um dos meus “10” favoritos, com Martins a colocar aquela bola dentro da baliza de Nilson, fazendo Rui Patrício tremer. Tudo isto em dia de aniversário de Luisão, brindado com um jogo de sonho, saudado pelos 55000 presentes na Luz. Mas, contra o que seria de esperar, não foi esse o ponto alto da semana futebolística, esse veio três dias depois com o Arsenal-Barcelona. Não o jogo, em si, mas pelo prazer de vê-lo a dois, com a Luisa. Há jogos assim, que não são de ver a sós, porque Villa não é de se odiar sozinho, porque o golo de Van Persie merecia mais do que uma garganta, porque a certeza de que Arshavin daria a volta é de ser partilhada. Futebol é jogo de equipa. Vê-lo também deve ser.  Amornou a semana, com a chegada do Estugarda à Luz, mas na verdade, entre o jogo de Domingo e o da próxima segunda-feira, não esperava muito melhor. Mas o ponto triste chegou hoje, com o esperado mas sempre adiado fim da linha para Mantorras. Pedro Mantorras a quem o azar roubou uma grande carreira, mas a quem a fatalidade não beliscou a aura de mito que goza até hoje na Luz. Pedro Mantorras tem a minha admiração eterna. Devo-lhe isso, devemos todos os Benfiquistas. Ofereçamos-lhe, pois, uma vitória sobre o Sporting, na próxima segunda-feira. Mas dediquemos-lhe uma grande exibição. Eu cá estarei para me deleitar com esse jogo, para odiar Maniche e para venerar Saviola. Eu e a Luisa.

a primeira vez

Não foi a minha primeira vez, na Luz.
Foi a da Luisa.
E foi para a Luisa.
Foi por ela que a chuva parou, depois do dilúvio.
Foi para ela toda a chuva do dia.
O cheiro do relvado húmido, ali à mão.
Foi por ela que, um a um, David Luiz, Aimar e Coentrão desfilaram, naquela lateral esquerda.
Que Maxi e Luisão foram inultrapassáveis, na direita da defesa.
COmo só podia ser para ela aquele golo do Carlos Martins.
Não foi a minha primeira vez, na Luz.
Mas foi única.