O maior Benfiquista

CameraAwesomePhoto (3)Chamado, por um conhecido blog, a nomear o maior Benfiquista, o meu amigo evocou o meu nome. Em vão, arriscaria dizer. Porque de grandes Benfiquistas está o país cheio, de grandes Benfiquistas está o mundo pejado. Benfiquistas que acompanham a equipa a qualquer estádio, enquanto eu me fico pelo café do Sr Coutinho. Benfiquistas que escrevem sobre o nosso clube a ritmo frenético por essa blogosfera, por esse facebook, cheios de razão, humor e inteligência. E eu, no meu cantinho, na minha lanchonete servindo apenas palavras esparsas em doses moderadas. Benfiquistas que assistiram ao vivo a momentos de glória, em Anfield Road ou Old Trafford, deixando-me a mim, humilde adepto, a missão de ir à Pedreira torcer pelos nossos, deixando-me a mim, sofredor treinado, o fardo de sair de Braga derrotado por Quim, eliminado por Ruben Amorim. Mas, confesso-o, saí feliz, com um estranho sorriso nos lábios. Porque, por muito que os grandes Benfiquistas não concordem, ver a nossa paixão é sempre fonte de prazer imenso. Vê-los, ali, a poucos metros, envergando camisolas berrantes, é motivo suficiente para acelerar o coração, para sentir no peito esse orgulho muito meu. O resultado é um apenas um pormenor  quando é de paixão que falo. E é disso que falo, daquela paixão incondicional que nos faz tremer as pernas, daquela paixão que nos faz vislumbrar beleza infinita na nossa amada, mesmo no seu pior dia, que nos faz sentir o sentido da vida cada vez que estamos com ela. Nos bons mas sobretudo nos maus momentos. Sim é paixão do que falo, e é essa paixão que ponho em tudo o que faço que alegra os meus dias. O título de maior Benfiquista devolvo-o ao remetente, a esse generoso amigo. Com o agradecimento de me ter dado, mais uma vez, motivo para vir aqui escrever umas esparsas palavras sobre a paixão de ser Benfiquista…

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SELETA

1.
23 de Maio de 2005
Cheio de febre, saí de casa com uma garrafa de cachaça SELETA na mão.
Rumo ao “Safira”, o restaurante mais Benfiquista da Senhora da Hora.
O Benfica decidia no Estádio do Bessa o campeonato que lhe escapava há 11 anos.
O treinador era Trappatoni. A estrela, Simão Sabrosa.
O campeonato foi um dos piores de que tenho memória.
Com um dos melhores finais.
O Benfica empatou no Bessa. A Briosa ganhou no Dragão.
O que se passou a seguir foi uma festa de proporções bíblicas.
Recebi telefonemas de Chaves ao Funchal. Coimbra, Covilhã e Figueira da Foz.
Houve festa em Paris.
Muito a custo fomos, eu e o meu cunhado, até ao Castelo do Queijo, para um cheirinho de festa.
A SELETA, essa ficou guardada para o próximo título do Benfica.

2.
09 de Maio de 2010
Terminou o campeonato.
Com justiça.
A primeira palavra vai para o segundo.
Teve azar, o Braga.
Uma campanha como esta merecia melhor sorte.
Em qualquer outro ano teria sido campeão.
Não o foi neste porque teve pela frente o melhor Benfica.
Ganhou a melhor equipa, foi premiado o melhor futebol.
E, no Safira, a garrafa de SELETA foi finalmente aberta.
Bebeu-se a Jesus. Bebeu-se ao Benfica.
E bebeu-se ao Braga, também.