mais um derby

Sofia,

Sim, por vezes invejo-te, por vezes invejo o ritmo a que se sucedem os jogos da Premier League, invejo-te quando, passando no café a meio de uma qualquer semana, vejo os gunners a jogar imaginando-te pregada à televisão com uma Guiness por perto. Enquanto isso o nosso Benfica folga. Sim, irritam-me as paragens da Liga, prolongadas e vazias, deprimentes e preguiçosas. Há a festa da Taça, dirás, e também a taça da Liga… Mas não, não é a mesma coisa. Ver a segunda-mão de uma meia-final da Taça tem pouco mais emoção do que a transmissão televisiva de um jogo de golfe (que o Joel não me ouça…). Sim, já me tentaste convencer das vantagens  de ter vários clubes no coração, como tens o Benfica e o Arsenal ou o Southampton. Multiplicam-se as oportunidades, é certo, mas divide-se a emoção, diria. Além disso não o consigo. O meu coração é do Benfica. Ponto. Sim, vibro com a entusiasmante fase do Atlético Mineiro de Ronaldinho, sinto-me merengue a espaços e gunner por vezes. Mas o que me move é o Glorioso, o que quero é o escudo da Liga nas nossas camisolas. O que quero é despachar isto, arrumar o Sporting e ser campeão na Madeira. E pelo meio sentir a vertigem de jogar em Istambul, a caminho de Amesterdão. É o nervoso miudinho que me move. Esse que cresce em exponencial à medida que se aproxima mais um derby absolutamente decisivo, uma semana louca que decidirá a glória ou o desespero. E outra, depois, e ser assim até à festa no Marquês, até ao fim de uma das melhores épocas de sempre. Se estou eufórico antes do tempo? Claro, mas sabes bem que é assim o meu futebol. Invejo-te por vezes. Não hoje, não na véspera do derby…

Pedro, 20 de Abril de 2013

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a dois

Começou bem, a semana, com o melhor Benfica de que me lembro, reduzindo, numa primeira parte asfixiante, o Guimarães de Machado a uma insignificância. Com Sidnei remeter o resto da memória de David Luiz para Londres, com Aimar a justificar o porquê de ser um dos meus “10” favoritos, com Martins a colocar aquela bola dentro da baliza de Nilson, fazendo Rui Patrício tremer. Tudo isto em dia de aniversário de Luisão, brindado com um jogo de sonho, saudado pelos 55000 presentes na Luz. Mas, contra o que seria de esperar, não foi esse o ponto alto da semana futebolística, esse veio três dias depois com o Arsenal-Barcelona. Não o jogo, em si, mas pelo prazer de vê-lo a dois, com a Luisa. Há jogos assim, que não são de ver a sós, porque Villa não é de se odiar sozinho, porque o golo de Van Persie merecia mais do que uma garganta, porque a certeza de que Arshavin daria a volta é de ser partilhada. Futebol é jogo de equipa. Vê-lo também deve ser.  Amornou a semana, com a chegada do Estugarda à Luz, mas na verdade, entre o jogo de Domingo e o da próxima segunda-feira, não esperava muito melhor. Mas o ponto triste chegou hoje, com o esperado mas sempre adiado fim da linha para Mantorras. Pedro Mantorras a quem o azar roubou uma grande carreira, mas a quem a fatalidade não beliscou a aura de mito que goza até hoje na Luz. Pedro Mantorras tem a minha admiração eterna. Devo-lhe isso, devemos todos os Benfiquistas. Ofereçamos-lhe, pois, uma vitória sobre o Sporting, na próxima segunda-feira. Mas dediquemos-lhe uma grande exibição. Eu cá estarei para me deleitar com esse jogo, para odiar Maniche e para venerar Saviola. Eu e a Luisa.