Posts tagged “áfrica do sul

No sofá…

Francisco e Luisa nunca ligaram a futebol.
Nunca fiz grande esforço para o mudar, confesso.
Mas mudou, para surpresa minha.
Primeiro com a grande época do Benfica.
Luísa começou a escolher os seus ídolos. David Luiz foi um deles.
Veio o Mundial. A devoção foi então para Simão, para minha felicidade.
E com o Mundial eis que também o Francisco passou a interessar-se.
Primeiro pela matemática da questão. Sabia todos os pontos conquistados na fase de grupos.
Quem ficou em primeiro, quem tinha hipóteses de passar.
Quais eram os critérios de desempate.
Mas surpreendeu-me, quando no último domingo, estando eu com os meus amigos facebookianos do “Gang Cool”, entretidos com um prato (vários) de caracóis, o árbitro apitou para o início do Argentina-México.
Foi quando começou a apressar-me par regressar a casa, para ver “pelo menos a segunda parte”.
Por isso dispensei hoje vários convites gastronómicos para ver o jogo.
Vê-lo-ei no sofá de casa, ao lado do Francisco.
Em vez de sardinhas, haverão explicações sobre o que é o “fora-de-jogo”.
Em vez de conquilhas haverão perguntas sobre a diferença entre a pequena e a grande-área.
Em vez de bacalhau espero questões sobre as escolhas de Queirós…
Não haverá, desta vez, crónica gastronómica.
Mas haverá futebol. Como deve ser. Entre pais e filhos…

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intervenção divina

Só uma intervenção divina pode salvar a França.
Disse-o Domenech. E disse-o com razão.
A França entra para o último jogo obrigada a ganhar aos anfitriões.
México e Uruguai classificam-se com um conveniente empate.
Bem pode pois o seleccionador Francês evocar protecção divina.
Mas contra Unkulunkulu, só uma divindade do futebol pode servir-lhe.
E dessas é Maradona a que está mais à mão.
E quem sabe se não será Diego Armando a última esperaça dos “bleus”.
Porque é verdade que um empate serve a Mexicanos e Urugaios.
Mas não de forma igual.
A um deles espera-o a temível Argentina.
E pode ser esse factor que impeça o pacto. A acomodação.
Que leve o México a arriscar, para evitar Messi.
Que parta o jogo. Que impeça a modorra previsível.
E que desfaça o empate.
Que ajude Domenech.
E confirme Maradona como Deus Maior…


Deco

Há desculpas que soam a falso.
A concessão fácil.
A falta de carácter.
A subserviência desmesurada. A paz podre.
Dizemos coisas, todos nós.
Algumas preferíamos não as ter dito.
Porque magoámos alguém.
Porque foram mal ouvidas.
Ou porque saíram da boca, não do coração.
Dessas, só dessas devemos desculpas.
Das outras, das sentidas, não nos resta senão aceitar as consequências.
Ser coerente.
E dormir descansado.

e agora?

Queirós escolheu três selecções africanas para os três jogos de preparação de Portugal.
Para preparar o jogo com a Costa do Marfim, ouvi-o dizer.
Como se do último se tratasse.
Não resultou, como é óbvio.
Não pelo resultado, que não é trágico.
Mas pela exibição, pela impreparação.
Pela sensação que ficou de que fomos manietados pelos Marfinenses.
Por Erikson.
Mas, pior que isso, deixa agora uma enorme sensação de vazio.
Não nos preparámos, para o que vem a seguir.
Para o mata-mata que será o jogo contra a Coreia.
Para o sufoco que vai ser o jogo com o Brasil…
Resta-nos trabalhar, agora.
E jogar.
Não é para isso que estamos aqui?

left

1. o Jogo
Foi o esperado, o jogo.
O ketchup quase saía naquele remate ao poste. Mas ficou-se pelo quase.
Como ficou pelo quase todo o jogo de Portugal.
A Costa do Marfim entregou o domínio do jogo a Portugal, pondo no entanto todo o empenho e poderio físico na defesa do seu meio campo.
Portugal não o soube aproveitar.
Uma noite apagada de Deco, e o perfil defensivo de Pedro Mendes e Raul Meireles condenaram o meio campo Português a uma total ineficácia.
Ronaldo denotou uma tremenda ansiedade.
Liedson andou sozinho, batalhando, nem sempre bem, no meio dos Marfinenses.
Sobre a defesa, pouco há a dizer. O que é bom sinal.
Mas no fundo foi a esquerda, a imagem de todo o jogo.
Coentrão cumpriu, Danny não.
Que Queirós consiga tirar daí ilacções é o que espero.
2. o horário
Uma agradável surpresa, o horário.
Parecendo incómodo, à primeira vista, revelou a grande virtude de proporcionar um almoço tardio, com amigos.
O jogo foi servido, algures no Mindelo, junto com filetes de sardinha. Perfeitos como nunca comi.
Sabiamente acompanhados por um extraordinário arroz de grelos.
Um Douro da Kopke abriu as hostilidades que cessaram com a última gota do Terras do Demo.
Fosse a selecção tão competente como a cozinha do “Recanto” e Drogba estaria agora desfeito em lágrimas…


a bandeira

Poucas coisas há na nossa vida que, contando na sua génese com infinita incerteza, originem convicções tão firmes e carregadas da mais absoluta certeza.
É assim o futebol. Felizmente.
Afirmações destemidas, tão carregadas de improbabilidade como de paixão são frequentes, aqui.
Porque a improbabilidade motiva a paixão.
E a paixão, já se sabe, vive de certezas tão sólidas como voláteis.
É sintomático, por isso, a ausência de entusiasmo à volta da selecção.
Ninguém aposta na conquista do troféu.
Excepção feita a Sócrates.
Mas a situação em que nos encontramos diz bem da acuidade das suas previsões.
Não se ouvem discursos delirantes. Declarações apaixonadas.
Nem do público anónimo. Muito menos de Queirós.
Bandeiras nas janelas, contam-se pelos dedos das mãos.
E algumas, pelo aspecto, devem ser ainda as pedidas pos Scolari em 2004.
Não há paixão, neste ano da graça de 2010.
Não se vão ouvir as vuvuzelas, na África do Sul.
Seremos campeões?
É possível.
Mas não é um sonho.
É apenas um cenário.