R10

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A importância de Ronaldinho neste Atlético não pode ser medida apenas em golos e assistências. Em 2006 o Galo militava na série B. Até 2011, oscilava entre o meio da tabela e a zona de rebaixamento. Em 2010 e 2011 lutou arduamente para escapar à série B. Entretanto chegou Ronaldinho vindo do Flamengo, culminando uma travessia no deserto demasiado longa. E, subitamente, o Atlético ganhou dois títulos mineiros. Lutou até ao fim pelo Brasileirão do ano passado, terminando como vice-campeão, ganhou a Libertadores, feito inédito no centenário clube. Com ele o Galo subiu um degrau, cresceu, a exigência aumentou, a alegria da torcida explodiu. Com ele em campo é de esperar o inesperado, com ele em jogo devemos reverenciar o enorme toque de bola e o sorriso contagiante. Não podia, pois, deixar de voltar ao renovado Independência, desta feita a convite do Rubinho, interrompendo assim o jejum de anos. A última vez que ali tinha estado, para ver o América selar a subida à série B, ainda se comia pão com linguiça no topo do Estádio, ainda se bebia cerveja verdadeira, ainda a turma sentava no cimento frio da bancada. Tudo mudou, e a nova arena Independência cresceu, como se isso fosse possível dentro das apertadas ruelas do horto. Diria que ganhou um charme inglês de estádio urbano, acolhedor, mas misturado com a informalidade Brasileira que, em dia de jogo, transforma qualquer janela das imediações em bar, qualquer pátio em restaurante, qualquer garagem particular em estacionamento pago. Voltei. Voltei para ver o jogar o Atlético que, mais do que se deixar adoptar, me adoptou e me acolheu em seus braços. A mim e a Luisa que, como eu, se deixou contagiar pela magia, que, como eu, se curvou em sinal de reverência quando, com o sorriso nos lábios e sem sequer tocar na bola o 10 alvinegro deixou pregado ao chão o enorme zagueiro do Bahia, abrindo todo o corredor esquerdo para mais um ataque infrutífero. Aquilo que presenciámos, ambos, aquele movimento, aquele gingado, aquela visão só está ao alcance de um punhado de eleitos. Que um deles tenha escolhido o Atlético é uma benção dos deuses do futebol.

Brasília, 16 de Agosto de 2013

2 responses

  1. Newton Gonzalez

    Muito feliz em ¨conhecer¨ o Pedro, que ao se intitular grande amigo do Rubinho e pelo seu jeito peculiar de tratar as coisas da bola, me fez lembrar dos idos tempos do Independência pré-Mineirão. Naquele final da década de 50 e início dos anos 60, nem sonhávamos com o desnecessário conforto que as grandes arenas atuais apresentam, embora a custo do antigo charme dos velhos estádios. Era um tempo em que nos enchíamos de alegria nas tardes de domingo ao partir para ver o nosso já glorioso GALO em suas habituais e rotineiras conquistas. Época em que tínhamos um clube do coração em todos os países e nos outros estados brasileiros. Quantas vezes torci com paixão pelo Honved, pelo Manchester United, pelo Saint Etienne, pela Fiorentina de Julinho Botelho e principalmente pelo Benfica de José Augusto, Euzébio, Torres, Coluna e Simões, que sucederam a geração do fantástico goleador Águas e conquistaram a Europa, só se curvando ao Santos do Rei Pelé?
    O Pedro está certíssimo em sugerir que o nosso R10 se aposente como Ronaldinho Mineiro, já que além de ganhar aqui e agora seus maiores títulos em terras brasileiras (ainda não acabou, eu acredito…), realmente nos fez mudar de patamar no futebol mundial.
    E eu , que abandonei há décadas os meus times internacionais, por considerar que o GALO não mais merecia que eu dividisse meu coração com os outros, farei uma exceção agora para o simpático Benfica, em retribuição à solidariedade deste benfiquista atleticano amigo de meu amigo Rubinho.
    Um abraço.

    Agosto 16, 2013 às 9:11 pm

    • Grato pela sua visita, comentário e solidariedade intercontinental, Newton. Muitas vezes sinto saudade desse futebol mais simples que não vivi. Muitas vezes sinto falta dessa poesia e romantismo que tão bem combina com o jogo. Por isso tento ver um pouco desse espírito na industria que é o futebol de hoje. Faço-o com ajuda de amigos como o Rubinho, ou de minha filha Luísa. E com o seu, já agora.
      Um abraço.

      Agosto 17, 2013 às 1:44 pm

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