Archive for Abril, 2013

mais um derby

Sofia,

Sim, por vezes invejo-te, por vezes invejo o ritmo a que se sucedem os jogos da Premier League, invejo-te quando, passando no café a meio de uma qualquer semana, vejo os gunners a jogar imaginando-te pregada à televisão com uma Guiness por perto. Enquanto isso o nosso Benfica folga. Sim, irritam-me as paragens da Liga, prolongadas e vazias, deprimentes e preguiçosas. Há a festa da Taça, dirás, e também a taça da Liga… Mas não, não é a mesma coisa. Ver a segunda-mão de uma meia-final da Taça tem pouco mais emoção do que a transmissão televisiva de um jogo de golfe (que o Joel não me ouça…). Sim, já me tentaste convencer das vantagens  de ter vários clubes no coração, como tens o Benfica e o Arsenal ou o Southampton. Multiplicam-se as oportunidades, é certo, mas divide-se a emoção, diria. Além disso não o consigo. O meu coração é do Benfica. Ponto. Sim, vibro com a entusiasmante fase do Atlético Mineiro de Ronaldinho, sinto-me merengue a espaços e gunner por vezes. Mas o que me move é o Glorioso, o que quero é o escudo da Liga nas nossas camisolas. O que quero é despachar isto, arrumar o Sporting e ser campeão na Madeira. E pelo meio sentir a vertigem de jogar em Istambul, a caminho de Amesterdão. É o nervoso miudinho que me move. Esse que cresce em exponencial à medida que se aproxima mais um derby absolutamente decisivo, uma semana louca que decidirá a glória ou o desespero. E outra, depois, e ser assim até à festa no Marquês, até ao fim de uma das melhores épocas de sempre. Se estou eufórico antes do tempo? Claro, mas sabes bem que é assim o meu futebol. Invejo-te por vezes. Não hoje, não na véspera do derby…

Pedro, 20 de Abril de 2013

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De Istambul a Newcastle

blue mosque

Sofia,

Eis o Newcastle, outra vez. St James espera-nos, a glória espera-nos em St James Park. Mais do que a glória espera-nos uma noite de futebol à antiga. Espero-o eu, sei que o esperas tu. Sim, porque apesar do resultado jogar a nosso favor, é acima de tudo o futebol que nos cabe honrar. De resto é apena uma eliminatória, uns insignificantes quartos-de-final. E é pelo futebol que as camisolas berrantes hão-de subir ao relvado, mais logo. Sim, escrevo-te na ressaca do Galatasaray-Real Madrid, desse jogo que devorei de um só trago. Desse hino ao futebol, da grande primeira parte dos Merengues e da avassaladora segunda parte dos Turcos. Sim, falo da segunda parte do Galatasaray, mas falo sobretudo da segunda parte dos Turcos que encheram as bancadas. Mourinho disse-o, que jogou, não contra 11, mas contra 50.000. Diria mais, Mou jogou contra a minha adorada Istambul, contra a ameaçadora presença da torre de Gálata, contra toda a história de Hagia Sofia, contra as colunas do templo de Artemisa trazidas de Ephesus. Contra Suleiman o Magnífico que, posso jurar, reencarnou por minutos em Drogba. Sabes o quanto adoro Istambul, sabes bem o quanto me marcou ter passado as portas da Mesquita Azul. Pois bem, tivesse estado ontem em Istambul tivesse estado naquelas bancadas e sairía igualmente tocado. Como tu, certamente.
É assim o meu futebol, é assim o nosso futebol, e é por isso que do Benfica não podemos esperar menos do que uma grande noite, mais frenética do que calculista, mais insana do que razoável. E esmagadora, em qualquer caso. É futebol o que esperamos. É isso que se exige ao Glorioso. Paixão pelo futebol. E Amor pelos adeptos. Por nós que o merecemos.

Pedro, 11 de Abril de 2013