Regressos

nico gaitan

1. Regressei ao futebol, ao meu futebol, ao futebol entre amigos, ao futebol de domingo de manhã. Fi-lo depois de meses de paragem forçada, de desesperada ausência.  Regressei à minha hora de egoísmo a que todos temos direito. Ser guarda-redes de uma equipa de amigos, por muito competitiva que ela seja, vem condimentado com uma pitada de egoísmo q.b. Sim, confesso-o, prefiro, ao contrário do resto da equipa, perder um jogo em que tenha tido trabalho e que saia com a certeza de ter feito a diferença, do que ganhá-lo com poucas defesas, com pouco trabalho. Sim, fico frustrado com o esforço inglório de um voo acrobático para defender uma bola, que acaba por passar rente ao poste e sair. Fico irritado com defesas fáceis. Sim, esforço-me por orientar o posicionamento dos defesas, por forma a ter a baliza protegida, mas irrita-me quando formam uma muralha inultrapassável, salvando-me da minha função. É um desporto de equipa, é certo. Mas com laivos de egoísmo incontroláveis…

2. Não foi um regresso auspicioso, apesar de ser quase heróica a derrota por 8-6 com uma equipa claramente superior. Mas foi um jogo cheio de quase-defesas, de golos indefensáveis, sem nada para recordar. Mas uma certeza ganhei, desta feita, a certeza de que o Manto Sagrado de que Nelson Rodrigues falava existe de facto. Errou nas cores, o cronista, uma vez que o preto não existe, e no lado esquerdo do peito voa uma águia. O jogo resumiu-se a um inexplicável massacre até à saída por lesão de um adversário. Só aí, quando ao sair de campo despiu o colete colorido, vi a águia ao peito. De facto não era ele, era o manto sagrado a jogar em seu lugar. Só a sua presença em campo, mesmo que hereticamente ocultada pelo colete, permitiu que o jogo chegasse a uns escandalosos 6-0. Depois disso tudo mudou e a recuperação só não foi completa porque ele, certamente sabendo o seu poder, a deixou cair displicentemente na beira do campo, à vista de todos. Nelson Rodrigues tinha razão.

3. No mesmo Domingo, mas à noite, havia de assistir a mais dois regressos históricos. O do mágico Aimar ao relvado e o de Gaitán, ausente do seu corpo por intermináveis meses. De facto até eu, defensor acérrimo das potencialidades do nº20, começava a duvidar que algum dia pudesse voltar a saltar da cadeira por causa de um passe impossível, por causa de um golo de bandeira. Aconteceram ambos, no mesmo Domingo. O golo é uma obra de arte. O passe para Lima é quase ele próprio o golo. A Aimar basta a presença em campo para que a bola mude a forma de rolar, para que as próprias leis da física se alterem a seu bel-prazer. Foi o aquecimento, apenas. Magia a sério só lá para Domingo à noite…

4. Jogou no Sábado, o que não lhe permitiu um regresso. Assim se adiou mais uma semana a esperança do regresso do Sporting ao bom caminho, às vitórias, a redenção. Que o consiga em breve, é o que sinceramente desejo. Sem precisar do quinto treinador da época…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s