Archive for Janeiro, 2013

em Braga

a pedreiraEncontramos o Braga, hoje. Encontramos o Braga, adversário que mais vezes me levou ao Estádio, o Braga que marcou de forma indelével a minha relação com o futebol, com o Benfica. Não pelos jogos em si, mas pelas ocasiões, pelas noites passadas, pelas vitórias sofridas, pelos golos saborosos. Foi o Braga, então treinado por Jesus, que me levou pela primeira vez à “Pedreira”, essa obra de arte feita estádio por  Souto Moura. Foi esse Braga que caiu aos pés de Urretavizcaya, com Quique Flores no banco, já de saída. Foi o Braga também que, jogando em plena Luz, havia de marcar a primeira vez da Luísa que, em êxtase, veria desfilar à sua frente Coentrão, David Luiz e Aimar. Que, ainda confusa, havia de saltar para comemorar, com um abraço, o seu primeiro pelo primeiro golo, o que Carlos Martins fez para ela. Como havia de ser o Braga a trazer a Sofia de Edimburgh até à Luz para comemorar, os dois golos de Cardozo e o de Jardel. Sim, só contaram dois, o primeiro de Tacuara foi anulado por fora-de-jogo, mas o árbitro não foi suficientemente rápido no apito para impedir o salto e o abraço com que se devem comemorar todos os golos. Uma semana mais tarde seria a desilusão, com o Glorioso a cair em Braga. Mas aí estava eu em longe, em Liège,  debruçado sobre um Samsung Galaxy a sofrer com a final falhada. Mais tarde na noite, havia de afogar as mágoas na Maison du Peket. Encontramos o Braga, hoje. Na pedreira, com Peseiro no banco, um Braga que estará mais perto do que vi com Jesus no banco, do que do de Domingos, que me estragou a noite de Liège. Assim espero, e a ser assim, será esta noite mais uma na cavalgada para o Marquês, em Maio.

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o caminho

foto slbPedia-me há dias, um amigo, mais posts sobre futebol romântico. Mas há outro tipo de futebol? Há outra forma de escrever sobre futebol? Há, agora me recordo, e foi tudo o que houve para mim durante demasiado tempo. Palavras vazias, estatísticas, polémicas, expressões que para mais não serviam do que para alimentar os jornais desportivos e um certo anedotário nacional. O que eu não via, de facto, era o futebol romântico escrito em lado nenhum. Tudo mudou quando conheci, primeiro o “Todos Nascemos Benfiquistas…” com as magíficas crónicas do Joel Neto, e depois próprio Joel. Só aí, só verdadeiramente aí descobri o mundo romântico das crónicas de futebol. Só aí conheci essa faceta de Nelson Rodrigues e Luis Fernando Veríssimo. Só aí me aventurei realmente a escrever sobre futebol. Romântico, claro. O certo é que  agora, passados muitos anos, não vejo outra forma de futebol, não vejo outra forma de escrevê-lo.
O meu futebol não é o das estatísticas nem das polémicas. O meu futebol é o das bancadas em festa, da veneração aos magos da bola, da paixão pelas camisolas berrantes. Das companhias, da cadeira ao lado, das mesas de café. O meu futebol é o que, embora imitando a vida, se recusa a seguir o caminho da depressão nacional.
O meu futebol é romântico, convencido de que todos nascem bons, que todos os clubes nascem de uma ideia generosa, que todos querem o seu bem, o bem do futebol. Mas que alguns, no entanto, se perdem pelo caminho. Perdem-se primeiro os  dirigentes, perdem-se os adeptos, vai-se perdendo o clube, vai perdendo o futebol. Mas nunca em definitivo. Cabe-nos a nós, os que vemos ainda o futebol romântico, o futebol como ele deve ser, os que somos futebol, mostrar aos outros o verdadeiro caminho. Por isso é essencial ganhar amanhã, na Luz. É uma obrigação, no fundo.


Regressos

nico gaitan

1. Regressei ao futebol, ao meu futebol, ao futebol entre amigos, ao futebol de domingo de manhã. Fi-lo depois de meses de paragem forçada, de desesperada ausência.  Regressei à minha hora de egoísmo a que todos temos direito. Ser guarda-redes de uma equipa de amigos, por muito competitiva que ela seja, vem condimentado com uma pitada de egoísmo q.b. Sim, confesso-o, prefiro, ao contrário do resto da equipa, perder um jogo em que tenha tido trabalho e que saia com a certeza de ter feito a diferença, do que ganhá-lo com poucas defesas, com pouco trabalho. Sim, fico frustrado com o esforço inglório de um voo acrobático para defender uma bola, que acaba por passar rente ao poste e sair. Fico irritado com defesas fáceis. Sim, esforço-me por orientar o posicionamento dos defesas, por forma a ter a baliza protegida, mas irrita-me quando formam uma muralha inultrapassável, salvando-me da minha função. É um desporto de equipa, é certo. Mas com laivos de egoísmo incontroláveis…

2. Não foi um regresso auspicioso, apesar de ser quase heróica a derrota por 8-6 com uma equipa claramente superior. Mas foi um jogo cheio de quase-defesas, de golos indefensáveis, sem nada para recordar. Mas uma certeza ganhei, desta feita, a certeza de que o Manto Sagrado de que Nelson Rodrigues falava existe de facto. Errou nas cores, o cronista, uma vez que o preto não existe, e no lado esquerdo do peito voa uma águia. O jogo resumiu-se a um inexplicável massacre até à saída por lesão de um adversário. Só aí, quando ao sair de campo despiu o colete colorido, vi a águia ao peito. De facto não era ele, era o manto sagrado a jogar em seu lugar. Só a sua presença em campo, mesmo que hereticamente ocultada pelo colete, permitiu que o jogo chegasse a uns escandalosos 6-0. Depois disso tudo mudou e a recuperação só não foi completa porque ele, certamente sabendo o seu poder, a deixou cair displicentemente na beira do campo, à vista de todos. Nelson Rodrigues tinha razão.

3. No mesmo Domingo, mas à noite, havia de assistir a mais dois regressos históricos. O do mágico Aimar ao relvado e o de Gaitán, ausente do seu corpo por intermináveis meses. De facto até eu, defensor acérrimo das potencialidades do nº20, começava a duvidar que algum dia pudesse voltar a saltar da cadeira por causa de um passe impossível, por causa de um golo de bandeira. Aconteceram ambos, no mesmo Domingo. O golo é uma obra de arte. O passe para Lima é quase ele próprio o golo. A Aimar basta a presença em campo para que a bola mude a forma de rolar, para que as próprias leis da física se alterem a seu bel-prazer. Foi o aquecimento, apenas. Magia a sério só lá para Domingo à noite…

4. Jogou no Sábado, o que não lhe permitiu um regresso. Assim se adiou mais uma semana a esperança do regresso do Sporting ao bom caminho, às vitórias, a redenção. Que o consiga em breve, é o que sinceramente desejo. Sem precisar do quinto treinador da época…


fim de linha

Sim, o caminho já foi o inverso, o da concentração de todos os meus posts num único blog. Mas, sobretudo por causa do Weekly Photo Challenge, a fotografia trouxe ao lanchonete novos visitantes, novos seguidores interessados quase exclusivamente em fotografia. Além disso, a sua origem geográfica é dispersa, mantendo em comum o desconhecimento quase completo da língua Portuguesa. Chegado aqui julgo não fazer muito sentido manter sob o mesmo tecto textos sobre futebol, viagens, família e amigos, e as fotografias que, passo a passo, conquistaram um espaço especial. Assim nasceu o novo rolleicord35.wordpress.com onde postarei exclusivamente fotografias. Espero que visitem, espero que gostem. E que não se esqueçam da lanchonete, que  continuará aberta, servindo as especialidades do costume…

For the non-portuguese followers and visitors, please read:

http://rolleicord35.wordpress.com/2013/01/06/weekly-photo-challenge-resolved/


para a Ana…

Leça da Palmeira, Janeiro de 2013…razão última de tudo na minha vida. Fotografia incluída…


Weekly Photo Challenge: My 2012 in Pictures

people campos concertina 1201 01 edited bw(Campos, Janeiro de 2012)

España (328) small(Covadonga, Fevereiro de 2012)

people Lisboa 1203 1 small(Lisboa, Março de 2012)

judas 15 1204(Tondela, Abril de 2012)

people porto painting 1205 01 small(Porto, Maio de 2012)

people cello 1206 01 small(Guimarães, Junho de 2012)

people pastor sta margarida 1207 1 small(Caramulo, Julho de 2012)

people venezia pozzi 1208 01 small(Venezia, Agosto de 2012)

people manif 1209 01 porto small bw(Porto, Setembro de 2012)

tortulho 01(Caramulo, Outubro de 2012)

moon small(Caramulo, Novembro de 2012)

work pontas small(Lavra, Dezembro de 2012)