em Braga

a pedreiraEncontramos o Braga, hoje. Encontramos o Braga, adversário que mais vezes me levou ao Estádio, o Braga que marcou de forma indelével a minha relação com o futebol, com o Benfica. Não pelos jogos em si, mas pelas ocasiões, pelas noites passadas, pelas vitórias sofridas, pelos golos saborosos. Foi o Braga, então treinado por Jesus, que me levou pela primeira vez à “Pedreira”, essa obra de arte feita estádio por  Souto Moura. Foi esse Braga que caiu aos pés de Urretavizcaya, com Quique Flores no banco, já de saída. Foi o Braga também que, jogando em plena Luz, havia de marcar a primeira vez da Luísa que, em êxtase, veria desfilar à sua frente Coentrão, David Luiz e Aimar. Que, ainda confusa, havia de saltar para comemorar, com um abraço, o seu primeiro pelo primeiro golo, o que Carlos Martins fez para ela. Como havia de ser o Braga a trazer a Sofia de Edimburgh até à Luz para comemorar, os dois golos de Cardozo e o de Jardel. Sim, só contaram dois, o primeiro de Tacuara foi anulado por fora-de-jogo, mas o árbitro não foi suficientemente rápido no apito para impedir o salto e o abraço com que se devem comemorar todos os golos. Uma semana mais tarde seria a desilusão, com o Glorioso a cair em Braga. Mas aí estava eu em longe, em Liège,  debruçado sobre um Samsung Galaxy a sofrer com a final falhada. Mais tarde na noite, havia de afogar as mágoas na Maison du Peket. Encontramos o Braga, hoje. Na pedreira, com Peseiro no banco, um Braga que estará mais perto do que vi com Jesus no banco, do que do de Domingos, que me estragou a noite de Liège. Assim espero, e a ser assim, será esta noite mais uma na cavalgada para o Marquês, em Maio.

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o caminho

foto slbPedia-me há dias, um amigo, mais posts sobre futebol romântico. Mas há outro tipo de futebol? Há outra forma de escrever sobre futebol? Há, agora me recordo, e foi tudo o que houve para mim durante demasiado tempo. Palavras vazias, estatísticas, polémicas, expressões que para mais não serviam do que para alimentar os jornais desportivos e um certo anedotário nacional. O que eu não via, de facto, era o futebol romântico escrito em lado nenhum. Tudo mudou quando conheci, primeiro o “Todos Nascemos Benfiquistas…” com as magíficas crónicas do Joel Neto, e depois próprio Joel. Só aí, só verdadeiramente aí descobri o mundo romântico das crónicas de futebol. Só aí conheci essa faceta de Nelson Rodrigues e Luis Fernando Veríssimo. Só aí me aventurei realmente a escrever sobre futebol. Romântico, claro. O certo é que  agora, passados muitos anos, não vejo outra forma de futebol, não vejo outra forma de escrevê-lo.
O meu futebol não é o das estatísticas nem das polémicas. O meu futebol é o das bancadas em festa, da veneração aos magos da bola, da paixão pelas camisolas berrantes. Das companhias, da cadeira ao lado, das mesas de café. O meu futebol é o que, embora imitando a vida, se recusa a seguir o caminho da depressão nacional.
O meu futebol é romântico, convencido de que todos nascem bons, que todos os clubes nascem de uma ideia generosa, que todos querem o seu bem, o bem do futebol. Mas que alguns, no entanto, se perdem pelo caminho. Perdem-se primeiro os  dirigentes, perdem-se os adeptos, vai-se perdendo o clube, vai perdendo o futebol. Mas nunca em definitivo. Cabe-nos a nós, os que vemos ainda o futebol romântico, o futebol como ele deve ser, os que somos futebol, mostrar aos outros o verdadeiro caminho. Por isso é essencial ganhar amanhã, na Luz. É uma obrigação, no fundo.

Regressos

nico gaitan

1. Regressei ao futebol, ao meu futebol, ao futebol entre amigos, ao futebol de domingo de manhã. Fi-lo depois de meses de paragem forçada, de desesperada ausência.  Regressei à minha hora de egoísmo a que todos temos direito. Ser guarda-redes de uma equipa de amigos, por muito competitiva que ela seja, vem condimentado com uma pitada de egoísmo q.b. Sim, confesso-o, prefiro, ao contrário do resto da equipa, perder um jogo em que tenha tido trabalho e que saia com a certeza de ter feito a diferença, do que ganhá-lo com poucas defesas, com pouco trabalho. Sim, fico frustrado com o esforço inglório de um voo acrobático para defender uma bola, que acaba por passar rente ao poste e sair. Fico irritado com defesas fáceis. Sim, esforço-me por orientar o posicionamento dos defesas, por forma a ter a baliza protegida, mas irrita-me quando formam uma muralha inultrapassável, salvando-me da minha função. É um desporto de equipa, é certo. Mas com laivos de egoísmo incontroláveis…

2. Não foi um regresso auspicioso, apesar de ser quase heróica a derrota por 8-6 com uma equipa claramente superior. Mas foi um jogo cheio de quase-defesas, de golos indefensáveis, sem nada para recordar. Mas uma certeza ganhei, desta feita, a certeza de que o Manto Sagrado de que Nelson Rodrigues falava existe de facto. Errou nas cores, o cronista, uma vez que o preto não existe, e no lado esquerdo do peito voa uma águia. O jogo resumiu-se a um inexplicável massacre até à saída por lesão de um adversário. Só aí, quando ao sair de campo despiu o colete colorido, vi a águia ao peito. De facto não era ele, era o manto sagrado a jogar em seu lugar. Só a sua presença em campo, mesmo que hereticamente ocultada pelo colete, permitiu que o jogo chegasse a uns escandalosos 6-0. Depois disso tudo mudou e a recuperação só não foi completa porque ele, certamente sabendo o seu poder, a deixou cair displicentemente na beira do campo, à vista de todos. Nelson Rodrigues tinha razão.

3. No mesmo Domingo, mas à noite, havia de assistir a mais dois regressos históricos. O do mágico Aimar ao relvado e o de Gaitán, ausente do seu corpo por intermináveis meses. De facto até eu, defensor acérrimo das potencialidades do nº20, começava a duvidar que algum dia pudesse voltar a saltar da cadeira por causa de um passe impossível, por causa de um golo de bandeira. Aconteceram ambos, no mesmo Domingo. O golo é uma obra de arte. O passe para Lima é quase ele próprio o golo. A Aimar basta a presença em campo para que a bola mude a forma de rolar, para que as próprias leis da física se alterem a seu bel-prazer. Foi o aquecimento, apenas. Magia a sério só lá para Domingo à noite…

4. Jogou no Sábado, o que não lhe permitiu um regresso. Assim se adiou mais uma semana a esperança do regresso do Sporting ao bom caminho, às vitórias, a redenção. Que o consiga em breve, é o que sinceramente desejo. Sem precisar do quinto treinador da época…

fim de linha

Sim, o caminho já foi o inverso, o da concentração de todos os meus posts num único blog. Mas, sobretudo por causa do Weekly Photo Challenge, a fotografia trouxe ao lanchonete novos visitantes, novos seguidores interessados quase exclusivamente em fotografia. Além disso, a sua origem geográfica é dispersa, mantendo em comum o desconhecimento quase completo da língua Portuguesa. Chegado aqui julgo não fazer muito sentido manter sob o mesmo tecto textos sobre futebol, viagens, família e amigos, e as fotografias que, passo a passo, conquistaram um espaço especial. Assim nasceu o novo rolleicord35.wordpress.com onde postarei exclusivamente fotografias. Espero que visitem, espero que gostem. E que não se esqueçam da lanchonete, que  continuará aberta, servindo as especialidades do costume…

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