de Istambul e outras paragens

Em frente, a altiva Gálata entre o Bósforo e o Corno de Ouro. Para trás Mármara. Ali chegava, vindo de Ephesus, seguindo o mesmo trajecto marítimo que, séculos antes, algumas colunas do templo de Artemisa terão feito. Hagia Sophia, era pois o seu destino, e era para lá que se dirigia quando por momentos se deteve no antigo hipódromo da cidade. Ali mais testemunhos de outras paragens, desta feita parte de uma coluna piramidal trazida do templo de Karnak, em Luxor. Mais à frente a coluna serpentina, trípode de Plateias trazida do templo de Apolo em Delfos e cuja bola dourada que a encabeçava terá sido por sua vez saqueada durante a Quarta Cruzada. Ali mesmo, ladeando a agora Praça Sultanahmet Meydanı, os seis minaretes da Mesquita Azul cumprem a sua missão de chamamento, tornando inevitável uma visita. A entrada faz-se pelo pátio frontal, que, rematado nos cantos com quatro dos minaretes da mesquita, faz parecer lógica a escolha invulgar de seis torres onde os muezim, cinco vezes por dia, iniciariam o chamamento à oração com a frase Allah hu Akbar. De facto, reza a lenda, o Sultão Ahmed I teria ordenado a construção de uma mesquita com 4 minaretes em ouro, ordem essa que, transmitida de forma oral, foi percebida como sendo para construir o complexo com seis torres. Regressado de uma longa ausência em batalha, a ira ter-se-à apossado do Sultão que, ao ver desrespeitadas as suas ordens ordenou o castigo imediato do Arquitecto responsável. Hesitou, porém, e, rendido à beleza do interior da mesquita terá recuado no castigo, reabilitado o autor de semelhante ousadia. Passado o pátio, confirma-se o porquê da deslumbramento de Ahmed. Os ajulezos, que com os seus desenhos florais repetitivos e azuis baptizam a mesquita, conferem ao seu espaço imenso uma leveza e serenidades insuperáveis, sobretudo quando beijados pela luz diáfana que invade o templo. Aí se quedou, deslumbrado pela paz da mesquita, quase esquecendo o propósito primeiro da viagem. Dias antes, chegara a Izmir, celebrava-se então a ascensão da Virgem Maria. a mãe de Jesus teria sido trazida por João para Ephesus, a poucos quilómetros dali terminando lá os seus dias terrenos. Dirigiu-se, pois a Ephesus, pretendendo visitar a sua última morada. A afluência de peregrinos, no entanto, desviara o seu rumo para as ruínas da cidade. Desta cidade, outrora uma das maiores do mundo, reteve, maravilhado, a antiga biblioteca de Celso, da qual resta a impressionante fachada, e o teatro grego, ao qual falta apenas o Egeu que, entretanto recuado para longe, outrora beijava a via portuária por detrás. Mas foi a solitária coluna que resta do templo de Artemis que o havia de levar a Istambul, a Hagia Sophia, que agora mira. Na entrada os vestígios da segunda edificação, destruída pela revolta popular de 532 contra Justiniano. À frente, a nova basílica, mandada construir pelo mesmo Imperador, uma vez dominada a rebelião, e que se manteria como o maior templo do mundo até à conclusão da catedral de Sevilha, em 1520. Lá dentro impressiona a dimensão majestosa da cúpula, suportada por uma intrincada estrutura de base da qual fazem parte precisamente as quatro colunas de Ephesus, razão da sua presença em Istambul. Saindo, é impossível não reparar na entrada de Topkapi, luxuosa residência dos sultões otomanos. Escolhida entretanto para Albergar o tesouro dos sucessivos Sultões, deixado para trás por Mehmed VI, exilado aquando da implantação da república por Mustafa Kemal. Entre esse tesouro estão várias relíquias de Maomé, o Profeta, deixando esperar uma forte carga religiosa. Não é assim, e o ambiente é essencialmente laico, sobressaindo a beleza do espaço e a vista sobre a cidade, o Corno de Ouro e o Bósforo. Depois de um merecido repouso nos jardins, mirando a outrora Constantinopla, é agora tempo para uma visita ao grande Bazar, imensa sucessão labiríntica de pequenas lojas, e seus insistentes vendedores. Tempo para um café turco. O destino seguinte que o decidam as borras…

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