a fuga

Fugia a estas imagens, fugia de fotografias invasivas, fotografias que, corrompendo irremediavelmente o momento, o faziam parecer plástico, pouco autêntico, artificial. Impuro. Fugia de fotografias fáceis, clichés coloridos, com pores-do-sol, mares e areia, abraços ou contemplações. Mesmo da cor lhe apetecia fugir, dos tons quentes e alaranjados, das nuvens, coqueiros ou luas. Fugia. Mas não dali, não daquele momento. Daquele estrado de madeira apontando irremediavelmente o sol posto, daquela conversa cúmplice, daquele beijo adivinhado, daquele fim-de-tarde de um qualquer Maio, na Foz do Douro, daquele gigantesco pastiche não conseguiu ele fugir…

One response

  1. dufas

    Que bom!
    bj.

    Maio 17, 2012 às 5:24 pm

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