Archive for Abril, 2012

Warsteiner

Antes de rumar a Frankfurt, uma rápida consulta ao livro do Francisco José Viegas com o objectivo de decidir que cervejas escolher por terras alemãs. Do índice constam apenas as famosas Spaten e Warsteiner. Referências escassas mas elogiosas, em todo o caso. Da Warsteiner retive aliás o facto de, apesar de mundialmente conhecida não ser autorizada a sua produção “sob licença” fora de solo Alemão, recusando a banalização, provando que nem tudo pode a globalização, nem tudo pode o mercado. Venha essa cerveja, então, enquanto Frankfurt é ainda uma miragem, enquanto o céu é ainda Francês. Chegou e triunfou, com o seu dourado perfeito, com o seu sabor amargo, tão subtil quanto insinuante, tão discreto quanto sedutor. Revelou-se perfeita para, quem diria, acompanhar uma espécie de canolli de caril servido pela lufthansa, aos viajantes que certamente sonhavam já com tradicional schweinshaxe estaladiço que só às margens do Main se encontra. Já o caril havia desaparecido, já a cerveja ia no fim quando um arrepio se impôs, vindo do rótulo da Warsteiner. Afinal o que mais senão um arrepio pode provocar a evocação de uma German Purity Law, ainda que seja de cervejas do que se fala aqui?…


Queima do Judas

Voltava a Tondela anos mais tarde, voltava para ver a Queima do Judas. O que agora era um famoso espectáculo começara por ser uma simples cerimónia com um rudimentar boneco que, representando o discípulo caído em desgraça, era queimado até à apoteótica explosão da sua cabeça deixar em delírio os Tondelenses. A festa ficava a cargo de um tal de “Mau- Mau”, figura conhecida lá da terra que se dedicava com afinco ao labor de construir o boneco de inflamáveis vísceras ao qual deitaria fogo, vendo esfumar-se num ápice todo o seu trabalho de um ano. Nunca vira tal espectáculo, ele, soube-o por ela, agora que voltava a Tondela.
Chegara à então Vila e sede de Concelho muitos anos antes, mais de 32, agora que fazia as contas. Chegara para o quinto ano, para o Ciclo Preparatório no Colégio de Santa Maria, entretanto abandonado. Era um edifício que à data lhe pareceu absolutamente majestoso, com a sua forma em U, cujas arcadas da galeria do piso térreo sugeriam um claustro incompleto onde se passavam os intervalos, onde certamente se cruzaram pela primeira vez, ainda que não se recordem de tão afortunado evento. Lembram-se, isso sim, do velho Tomás Ribeiro, passo seguinte no percurso académico de ambos. 30 anos se passaram, ainda a queima do Judas se fazia no adro da Igreja, nesse Sábado em que Jesus jazia morto no Sepulcro. Conheceram-se ali, finalmente, e era graças a ela que ali voltava, para ver a agora majestosa e encenada queima do Judas, feita na moderna Escola que substituiria a velha Tomás Ribeiro, levada a cena pela reconhecida companhia ACERT, que entretanto tomaria o saudoso Santa Maria para sua sede…
Estranho círculo o que o fez voltar. Estranho círculo que finda com Judas em chamas. E que renasce no Domingo de Aleluia.

(para a Teresa, cujo convite nos levou a descer a serra num sábado à noite…)

(galeria de fotos…)