Archive for Janeiro, 2012

do meu pai


O Meu pai. Quando deixou Portugal rumo ao Brasil, lá por 59, levava na mala uma velha Rolleicord. Com ela o sonho de ser fotógrafo em terras de Vera Cruz. Regressou 3 anos depois sem cumprir o destino, deixando para trás os planos que o fizeram embarcar para a Cidade Maravilhosa. deixando para trás a Rolleicord. Não deixou, no entanto, a paixão pela fotografia, guardada na luminosa Rolleiflex que acompanhou o seu regresso. Depois disso vieram as Zenit, as Praktica, Chinon e Pentax. E, a cada nova máquina, havia uma velhinha que, caindo nas minhas mãos enchia de felicidade os dias da minha infância e adolescência. À parte deste jogo, desse ciclo, permaneceu sempre a mítica Rolleiflex, companheira de viagem, impossível de destronar, insubstituível no seu papel de guardiã da paixão. Anos voaram, máquinas e máquinas passaram pelas minhas mãos. Até que, sem que ninguém o esperasse a velha Rolleicord, abandonada e desprezada, incompreendida na sua simplicidade rude, na sua dificuldade de aceitar olhares menos atentos, regressa a Portugal vinda do Rio de Janeiro. Para morrer em mãos conhecidas, talvez. E essa sim, fez o caminho das outras, acabando nas minhas mãos que, incrédulas, lhe pegaram pela primeira vez. Que, trémulas, procuraram entender os processos de outros tempos. A ausência de fotómetro, a necessidade de armar o obturador a cada disparo, a focagem dura, o visor escuro. A paixão, enfim. Outras vieram, entretanto, compactas, reflex, analógicas e digitais. E o ciclo recomeçou. Com Luisa, à espreita, esperando cada máquina nova para que lhe caia nas mãos uma velhinha capaz de dar largas à sua imaginação. Esperando, ansiosamente, a Fuji que agora me acompanha. Não espera a Rolleicord, essa que permanece no seu patamar inatingível, no seu papel de guardiã da minha paixão…

27 de Janeiro de 2012

(Para o meu pai que hoje completa 78 anos…)

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o caminho…

Descobrira-se ateu lá pelos seus 18 anos, condição obviamente definitiva como tantas outras nesses tempos de descoberta. Continuaria assim por anos, ateu juramentado, certo da sua existência finita e individual, caminho biológico com princípio, meio, mas sobretudo fim. Da riqueza dessa existência nunca ousara duvidar, nunca o permitiu a sucessão de acasos, de felizes cruzamentos, de encontros mais ou menos improváveis. Ironicamente seria um desses felizes encontros que abalaria as suas certezas. Encontro que, qual furacão, o havia de atirar para águas agitadas, o havia de fazer duvidar do seu tranquilo ateísmo e das suas confortáveis certezas.  Caiu, em primeiro lugar a certeza de um caminho irremediavelmente uno. Depois a inevitabilidade de um fim. E por fim até do próprio início se duvida. Sim, naquele encontro havia um caminho, um caminho sem fim à vista, sem fim simplesmente. O início, soube-o então, não foi nesse dia que consta no seu BI, da Imaculada Conceição, do ano da graça de 1969. Foi, isso sim, um pouco antes, num dia de Santo Antão. Como hoje…

17 de Janeiro de 2012


Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um excerto:

Um comboio do metropolitano de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 5.600 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 5 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo