Páscoa

A Páscoa era, mais do que o Natal, tempo de regresso no Caramulo. A decadência dos Sanatórios levara muitos a procurar sorte fora da Serra, Porto, Lisboa ou outras paragens mais distantes. Mas este era o tempo do regresso, em que se reencontravam primos distantes, velhos amigos, era este o Domingo em que as ruas do Povo, o núcleo original das Paredes do Guardão, se enchiam, era este o Domingo em que se encontrava o Compasso em cada esquina. Em que o Abade saía com os seus melhores paramentos, em que entrava em casa de todos os paroquianos ansiosos pela visita Pascal. Na nossa casa entrava já o Sol tinha desaparecido atrás do Caramulinho, já noitinha, já cansado da longa jornada. Nem por isso deixava de dizer umas palavras simpáticas, alusivas ao dia da Ressurreição de Cristo. Naquele ano referiu-se à sapiência divina, ao fazer coincidir a Páscoa com a Primavera, “tempo de renascimento”. Palavras a que todos acenaram, certos de que era de facto prova de harmonia divina. Todos menos a Ana que, estupefacta, lembrava o Outono que então dourava a Páscoa em Minas…

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