Casa Lindo

À Casa Lindo quase tudo se perdoa, perdoa-se a demora da cozinha, perdoam-se os pequenos lapsos do serviço. A lentidão perdoa-a o Douro, brilhante e tranquilo, o Douro que os Rabelos tantas vezes sulcaram, o Douro agora apaziguado pelas barragens, com Crestuma quase à vista. O esquecimento, quase imperdoável, dessa iguaria dos deuses que é a açorda de lampreia, perdoa-o o Sol, quente e sincero, agora que deixou para trás o ar enganador do inverno. E por fim tudo perdoa o perfeito arroz de lampreia, acompanhado por um alvarinho vindo do Minho, crescido com os pés nesse rio onde se venera 0 feio ciclóstomo. Tudo perdoa a companhia, que transforma séculos em instantes. Não perdoa a primavera, que fará desaparecer a Lampreia do prato. Mas sobrarão os filetes de polvo com arroz-do-mesmo, esses que fazem tremer o Aleixo. Por eles voltarei a sentar-me debaixo desta videira que se adivinha verde, por eles, por este Sol, por este Rio. Pela companhia, E por essa cozinha a quem tudo se perdoa…

2 responses

  1. Cristina

    É de dar água na boca…

    Março 21, 2011 às 2:06 am

  2. Sérgio

    Isso é tortura mau caro amigo
    PS: Hoje vou ver Roger Waters ao pavilhão atlantico
    Abraço Sérgio

    Março 21, 2011 às 8:38 am

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