Archive for Fevereiro, 2011

justiça, ao cair do pano

O Benfica é a equipa que melhor joga hoje em Portugal. Todos o sabem, ainda que nem todos o reconheçam. E o jogo de hoje na Luz mais não fez do que demonstrá-lo com grande dramatismo, mas com inteira justiça. Porque foram dramáticos aqueles instantes finais, em que Coentrão descobriu forças onde mais ninguém as sabia, pondo por fim o marcador a pender para onde devia. Justiça que os postes, a barra e Marcelo negaram sucessivamente, que Djalma quase aniquilou mas que Sálvio fez renascer. Sofreu-se na Luz, bem como em inúmeros sofás ou mesas de café por esse país fora. E foi com incontida alegria que se gritou golo, naquele minuto 94, foi assim no café do Sr Coutinho. O campeonato, provavelmente já está entregue. Cairemos contudo de cabeça erguida, com estádios cheios, com emoção e com futebol. O Benfica é a equipa que melhor futebol joga em Portugal. Todos o sabem. Villas-Boas incluído

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Somewhere

Há obras que nos surpreendem pela rudeza, pela secura, pela ausência de artifícios ou floreados. Que nos mostram a vida como ela é, uma qualquer vida tal qual ela é, a uma distância mais ou menos segura. Somewhere é algo diferente. Sim é rude, frio e seco, não conta uma história, não pressupõe qualquer julgamento, foge a clichés como o diabo da cruz. Mas é diferente na distância a que nos mostra o sujeito da história, é diferente porque nos aproxima subtilmente da história, quando nos coloca dentro do Ferrari, quando nos dá tempo para pensar na vida enquanto conduzimos. Porque é de mestre, o ritmo a que Sofia Coppola filma a vida de Johnny Marco, alternando momentos de tédio com outros de grande delicadeza ou intensidade. Desabafos e engates, banhos de sol ou um jogo de ténis na Wii. Tudo no seu instante, tudo como na vida fora da tela. Tudo isso com fotografia próxima, sóbria e com planos estáticos de  grande qualidade visual. Por último a música, com uma selecção sublime, da qual o trailer é apenas um exemplo. Somewhere é uma obra-prima. É um daqueles filmes raros e surpreendentes, que inventam novos caminhos, novas linguagens, que reinventam o cinema. Não é um filme fácil. Como não o é, a vida…


à distância de uma palavra

Há palavras que encurtam distâncias, que trazem conforto, que levam carinho, fazendo-o com a rapidez de um byte ou com o charme de um selo, batidas num teclado, escritas a tinta ou carvão, que transportam verdade como carregam fantasia, sílabas em que somos nós mesmos, rimas que nos servem de máscara, palavras com todas as letras, meias-palavras enfim. Palavras que, encurtando a distância, tornam suportável a ausência. Que não faltem, essas…


a dois

Começou bem, a semana, com o melhor Benfica de que me lembro, reduzindo, numa primeira parte asfixiante, o Guimarães de Machado a uma insignificância. Com Sidnei remeter o resto da memória de David Luiz para Londres, com Aimar a justificar o porquê de ser um dos meus “10” favoritos, com Martins a colocar aquela bola dentro da baliza de Nilson, fazendo Rui Patrício tremer. Tudo isto em dia de aniversário de Luisão, brindado com um jogo de sonho, saudado pelos 55000 presentes na Luz. Mas, contra o que seria de esperar, não foi esse o ponto alto da semana futebolística, esse veio três dias depois com o Arsenal-Barcelona. Não o jogo, em si, mas pelo prazer de vê-lo a dois, com a Luisa. Há jogos assim, que não são de ver a sós, porque Villa não é de se odiar sozinho, porque o golo de Van Persie merecia mais do que uma garganta, porque a certeza de que Arshavin daria a volta é de ser partilhada. Futebol é jogo de equipa. Vê-lo também deve ser.  Amornou a semana, com a chegada do Estugarda à Luz, mas na verdade, entre o jogo de Domingo e o da próxima segunda-feira, não esperava muito melhor. Mas o ponto triste chegou hoje, com o esperado mas sempre adiado fim da linha para Mantorras. Pedro Mantorras a quem o azar roubou uma grande carreira, mas a quem a fatalidade não beliscou a aura de mito que goza até hoje na Luz. Pedro Mantorras tem a minha admiração eterna. Devo-lhe isso, devemos todos os Benfiquistas. Ofereçamos-lhe, pois, uma vitória sobre o Sporting, na próxima segunda-feira. Mas dediquemos-lhe uma grande exibição. Eu cá estarei para me deleitar com esse jogo, para odiar Maniche e para venerar Saviola. Eu e a Luisa.


Senhor da Pedra

…quando faltam as palavras, resta a fotografia…

(para Gérard Castello-Lopes, 1925-2011)


dia de são valentim


10

Foi há exactos 10 anos que uma enfermeira depositou nos meus braços os mais de 4Kg do Francisco, “sabe que vão chamá-lo Chico, não se importa?”, não, não me importo, ainda que a alcunha adoptada tenha sido Kiko. Porque é assim, o Kiko, uma surpresa constante, irreverente e imprevisível, que detesta poesia e ainda assim escreve com sensibilidade e estilo, que não gosta de Português, mas redige como ninguém, que abomina as meninas e apesar disso é um pinga-amor. É assim hoje, e que o seja ao longo desta vida onde tudo parece previsível, acéfalo e compartimentado, politicamente  correcto, alinhado e monótono.


Javi

Dele podia apenas dizer que fez esquecer Katsouranis, o que, se mais não houvesse, já não seria coisa pouca. Dele, podia recordar o golo da última época contra a Naval, que ecoou como um estrondo no Palácio do Gelo onde vi o jogo, como um pouco por todo o país. Dele podia elogiar o golo cirúrgico a Helton, no último Porto-Benfica. Mas Javi Garcia vale mais do que isso, vale mais do que a soma de momentos notáveis. Javi vale pela segurança que transmite, pela força que investe em cada lance, pelo fôlego interminável que o anima. Foi por tudo isso uma das figuras desse memorável campeonato, o 32º do Benfica. Está a sê-lo neste, que infelizmente não ficará pela Luz. Como Javi não ficará por muito tempo. Mas enquanto está que ouça os parabéns, neste 24º aniversário.


o Museu

Esteve sempre ali, habituei-me a vê-lo sempre igual, majestoso e imutável. E via-o todos os dias, mesmo em frente à escola primária, via-o da janela, quando a imaginação me levava dali, da sala de aula, voando por entre os Rols Royce, Mercedes, Bugattis ou Ferraris, detendo-me em frente a Picasso ou Vieira da Silva, rebolando nas tapeçarias flamengas, venerando a arte sacra. E repousando, por fim, no elegante claustro trazido, dizem, de um mosteiro em ruínas lá para os lados de Tarouca, montado ali, pedra a pedra, qual castelo de Lego. Está ali hoje, o Museu, e ainda me surpreende em cada visita. Surpreendam-se também. Aceitem o convite…

Museu do Caramulo

 


Senhor da Pedra

…foto do Senhor da Pedra, para inaugurar o novo visual do blog…