the road



 

“…Maps and mazes. Of a thing which could not be put back. Not to be made right again…”

O livro, vivamente aconselhado por um amigo, li-o na viagem de comboio entre NY e Montreal.

As páginas e as imagens lá fora em antítese perfeita, a desolação e a exuberância.

E as palavras, belas de tão simples, angustiantes de tão parcas, os espaços, as distâncias, a desolação, tão perfeitamente descritas. E a solidão, ora esmagadora ora desejada, mas sempre presente.

Depois, meses depois, o filme, cuja estética exemplarmente cinzenta, assustadoramente apocalíptica, faz inteira justiça às palavras de Cormac McCarthy, à fatalidade do caminho, à desolação da estrada percorrida por um Viggo Mortensen perfeito.

Os diálogos, as palavras, essas são mantidas simples e secas, contundentes e certeiras, fieis, absolutamente fieis.

Mas algo se perde na tela. Perde-se a angústia, o aperto no coração que vem da solidão, a modorra de semanas na estrada, de milhas e milhas em vão. Ali, no filme, há apenas espaço para os episódios singulares. Todos eles exemplarmente retratados, é certo, mas com uma sucessão temporal que, quando comparada com o livro, parece vertiginosa.

É pouco, no entanto, para desmerecer a realização de John Hillcoat, para que se possa perder o filme.

O livro, esse é obrigatório.

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8 thoughts on “the road

    1. O livro é muito melhor do que o filme, Cris.
      Aconselho-o em inglês, pois creio que a aridez e simplicidade do texto é, senão impossível, pelo menos difícil em Português…
      Bj,
      Pedro

  1. Não li o livro nem vi o filme, olha aí a lista crescendo de novo, já tinham me falado bem dele e a dica de ler em inglês é preciosa, sempre se perde na tradução…
    E esse é também um problema de boa parte dos filmes, né, mesmo não querendo comparar um meio com o outro, o texto é sempre mais rico, até porque as imagens na nossa cabeça costumam ser bem mais vivas.
    Mas “Into the wild” (se estivermos falando do mesmo livro/filme, acho que sim) é realmente lindo, vi e falei dele lá no blog há um tempinho:
    http://cronicasurbanas.wordpress.com/2008/05/25/na-natureza-selvagem/
    Uma bela adaptação pra tela, e taí outro ator que se dá super bem no papel de diretor. Gosto bem das coisas do Penn.
    bjk

    1. O livro não perca, Mônica. O filme é opcional…
      Estranhamente o que se perde na transposição do texto para o cinema não é a riqueza do texto, mas sim a sua secura e rudeza.
      A míngua das palavras ilustrando tão bem a solidão da estrada. E é isso que torna o livro notável.
      Quanto ao “into the wild” vou piratear da net, e depois darei conta.
      Bjs,
      Pedro

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