Archive for Janeiro, 2011

profissional

Já era esperada a saída de Liedson. É um profissional, dir-se-á por aí, tem que fazer pela vida. E é de facto um profissional, que regressa ao seu país, ao seu clube, deixando bem à vista que a sua chamada à Selecção foi isso mesmo: profissional. Deixa o Sporting nesta hora estranha, de renovação e de desnorte, meio caminho entre uma crise e lado nenhum. E fá-lo com a mesma leveza, com o mesmo profissionalismo com que se escondeu do risco, com que se resguardou naquele fim de época de todas as esperanças, com que se guardou para a final de Alvalade, que acabou por perder. Perdeu ele, perdeu o Sporting e perdeu Peseiro. Profissionalmente. Liedson fica definitivamente ligado à mais triste fase do Sporting, aos anos de pragmatismo miserabilista, de segundos lugares honrosos, de profissionalismo na gestão, na SAD, sei lá mais onde. O Levezinho foi tudo isso, mas foi um grande jogador, um ídolo, venerado em Alvalade, admirado por todo o lado, Luz incluída. Serão recordados os golos, os muitos golos que fazia, e que fazia fazendo-os parecer fáceis, serão lembrados os muitos pontos que deu ao Sporting, as muitas vezes que salvou do abismo aquela equipa. E quando um jogador assim nos deixa, resta-nos lamentá-lo, resta-nos desejar-lhe sorte. É um profissional, e é assim, a vida…

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35mm

a notícia chegou-me, com a pergunta, se conhecia por acaso os fotógrafos misteriosos, sim, eu que frequento sites de fotografia, que conheço gente no meio, mas não, não conheço, e sinceramente não tenho a certeza que sejam tão misteriosos, não creio que tenham acidentalmente deixado cair um filme de 35mm na neve de Brooklyn, não creio que estejam a chorar a perda, porque ninguém usa hoje um filme sem um plano, sem um objectivo, e o destes fotógrafos foi genial, conseguiu por meio mundo a ver as suas fotos, conseguiram tornar virais as suas belíssimas imagens de NY sob a neve, íntima, despida e despretenciosa, não, não conheço os fotógrafos misteriosos, distraídos ou descuidados, mas se os conhecesse dar-lhes-ia os parabéns pelo plano, pelas fotografias, agradecer-lhes-ia por terem tirado a minha velhinha spotmatic II da gaveta, do esquecimento, por me terem levado à busca de uma qualquer loja onde ainda reste, perdido, um qualquer filme de 35mm, por me terem posto a pensar o que fazer com ele…


Eusébio e Fehér

 

Longínquo, aquele futebol de bolas pesadas, de golos de bandeira, de vida ou morte, filmado com o dramatismo do preto e branco, relatado com emoção nas rádios de onda curta, contado pelos nossos pais como se de uma epopeia se tratasse. Eusébio era desse futebol, tornado belo à custa de muito sangue, suor e lágrimas. Nunca vi Eusébio jogar, e as imagens que hoje vejo, desse futebol longe das jabulani e roteiros perfeitamente esféricas e cheias de hologramas quânticos de Mylar, longe da estética do futebol moderno, parecem-me estranhas, distantes, de outro planeta com gravidade insuportavelmente diferente da terrestre. Mas foi nesse futebol, nesse planeta que Eusébio foi rei, incontestadamente rei, unanimemente rei, de Portugal, de todo o “mundo Português”. Mais do que isso Eusébio foi do Benfica, é do Benfica e morrerá no Benfica. É património nosso e é inalienável. Completa hoje 69 anos, e recebe merecidamente o meu sincero desejo de vida longa ao Rei…

Em dia de efemérides, recordo uma outra, dramática, recordo aquele domingo à noite em que o café do Sr Coutinho se calou, rendendo-se à tristeza do pior jogo de sempre, do mais triste. Encaminhava-se para o fim o Guimarães-Benfica, quando no D. Afonso Henriques Fehér esboçou o último sorriso antes de cair inanimado. O que se passou a seguir não tem descrição. Simão, Tiago e Camacho em lágrimas, silêncio e estupefacção, deste lado da TV. Tive a sorte de ter assistido ao seu último golo, no Estádio do Bessa algumas semanas antes, e apesar de não ser devoto do Húngaro lembrarei para sempre esse momento histórico. Não era um ídolo, Fehér. Mas morreu como um. 


o regresso


As notícias chegaram num SMS, breve e telegráfico, esperado como de uma convocatória para o Mundial se tratasse. E, apesar de curto, esse texto encerra em si vários regressos. Graças a ele, depois de um interregno de 3 meses voltarei a jogar futebol, e voltarei a fazê-lo no velho campo onde, há 25 anos atrás, tantas vezes joguei com o Fafiães, o Sérgio, o Eduardo, o Leonel, o Jorge, o Ricardo, o João Pedro ou a Mariana, onde me cruzei com o Victor Baía, onde, aproveitando a distância de cento-e-tal km a que ficou o meu passado de guarda-redes, deixei as luvas e a baliza para trás. Voltarei, então, à velhinha “Industrial” de Matosinhos, onde passei três anos magníficos, onde me deliciei com as aulas de matemática do Prof. Reis, onde, por insistência da Prof. Regina, fiz a minha primeira exposição de fotografia, onde conheci os meus melhores amigos, os que me vão acompanhando até hoje, onde me apaixonei, uma e outra vez, de onde parti para Coimbra, e que sempre olhei com saudade.

Por tudo isso anseio pelo regresso. A escola que me espera, bem sei, não é a mesma, renovada e entretanto re-baptizada com o nome do descobridor da Madeira. O campo não será o mesmo, os jogadores não serão os mesmos, como eu não sou o mesmo. O prazer de jogar futebol, tenho a certeza, manter-se-á intacto, e é a esse, sobretudo, que regressarei amanhã…


the road



 

“…Maps and mazes. Of a thing which could not be put back. Not to be made right again…”

O livro, vivamente aconselhado por um amigo, li-o na viagem de comboio entre NY e Montreal.

As páginas e as imagens lá fora em antítese perfeita, a desolação e a exuberância.

E as palavras, belas de tão simples, angustiantes de tão parcas, os espaços, as distâncias, a desolação, tão perfeitamente descritas. E a solidão, ora esmagadora ora desejada, mas sempre presente.

Depois, meses depois, o filme, cuja estética exemplarmente cinzenta, assustadoramente apocalíptica, faz inteira justiça às palavras de Cormac McCarthy, à fatalidade do caminho, à desolação da estrada percorrida por um Viggo Mortensen perfeito.

Os diálogos, as palavras, essas são mantidas simples e secas, contundentes e certeiras, fieis, absolutamente fieis.

Mas algo se perde na tela. Perde-se a angústia, o aperto no coração que vem da solidão, a modorra de semanas na estrada, de milhas e milhas em vão. Ali, no filme, há apenas espaço para os episódios singulares. Todos eles exemplarmente retratados, é certo, mas com uma sucessão temporal que, quando comparada com o livro, parece vertiginosa.

É pouco, no entanto, para desmerecer a realização de John Hillcoat, para que se possa perder o filme.

O livro, esse é obrigatório.


o Açor



Pedro Pauleta nunca foi, para mim, mais do que um jogador vagamente interessante. Nunca percebi o que Scolari via nele, sempre achei teimosia Gaúcha a sua titularidade,  cega e obstinada. Não entendi a veneração de que era alvo em França, vendo com estupefação a sua eleição como melhor jogador de sempre do Paris Saint-Germain.

Era eficaz, não há como negá-lo, foi eficaz em todos os clubes por onde passou, desde o Estoril-Praia ao Bordéus, do Depor ao Paris Saint-Germain. Mas via-o apenas como isso: eficaz.

E, sabemos todos, não basta ser eficaz para ser um ídolo, não basta ser virtuoso, veloz ou forte para ser uma lenda. Para isso há que ser maior do que um hectare, há que superar o jogo, ser lembrado por mais do que um belo golo, por mais do que qualquer vitória, por maior que seja.

E Pauleta foi lembrado, a uma mesa de jantar, nas palavras embevecidas e graves de alguém que muito prezo. Não por qualquer golo, não por qualquer jogo, toque ou malabarismo. Foi lembrado por ser Açoriano. Por representar a superação para todo um povo. Por chegar onde nenhum Micaelense julgou ser possível, onde nenhum Terceirense jamais ousou sonhar. Por chegar à Selecção Portuguesa, por ser todos os Açorianos a envergar aquela camisola.

Por voltar aos Açores, por voltar a jogar aos 38 anos, pelo Desportivo de São Roque no campeonato de São Miguel.

Por tudo isso olho hoje para Pauleta de forma diferente, entendo agora o que de notável teve a sua carreira. Entendo finalmente porque é merecidamente um ídolo.

E sinto subitamente vontade de rever o voo do Açor, com que comemorava os seus inúmeros golos. Com a camisola do São Roque, desta feita…


O Mágico

 

 

O filme é simples, o argumento linear.

Mas o que surpreende, que me surpreendeu a mim,é a qualidade visual da obra.

Tudo ali parece saído do caderno de um sketcher, cada cena, de uma página perfeita, cada pormenor, do traço sábio de uma caneta. Depois a animação, suave e lenta, permitindo o deleite daqueles traços, a delícia dos detalhes, a perfeição das cores.

E as paisagens, as viagens, os comboios e os barcos. Até o velhinho Ford-T. A pequena aldeia escocesa e Edimburgh. Tudo a espicaçar o desejo de voar para a Escócia, a indicar o caminho para Edimburgh.

O resultado é uma obra-de-arte, serena e tranquila, daquelas que justificam uma sala escura num dia de sol. O resto não interessa.

Não interessa a ridícula polémica sobre a motivação do argumento de Tati. Se um reconhecimento tardio da filha “ilegítima”, Helga Marie-Jeanne Schiel, se um lamento pela pouca atenção dispensada a Sophie Tatischeff, sua filha. A quem aliás, o filme aparece dedicado por Chomet. Simplesmente não interessa, é lateral, é especulação.

Porque como remata o ilusionista Tatischeff no filme, “Magicians don’t exist”. Mas a ilusão sim…



Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 6,500 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 16 747s cheios.

 

Em 2010, escreveu 104 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 105 artigos. Fez upload de 136 imagens, ocupando um total de 72mb. Isso equivale a cerca de 3 imagens por semana.

The busiest day of the year was 20 de Dezembro with 155 views. The most popular post that day was A noite em que prenderam o Pai Natal.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram facebook.com, cronicasurbanas.wordpress.com, mail.live.com, pensamentosplasticos.blogspot.com e mail.yahoo.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por tongobriga, lanchonete, safira senhora da hora, marcadores de livros para imprimir e dada maravilha

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

A noite em que prenderam o Pai Natal Dezembro, 2010
2 comentários

2

Tongóbriga Junho, 2010
10 comentários

3

marcador de livros Maio, 2010
9 comentários

4

sozinho… Dezembro, 2010
17 comentários

5

São João Junho, 2010
12 comentários