pode comer-se…

“Pode comer-se, este vinho”, ouvi há alguns anos às margens do Dão.

Adorei a frase, que raramente uso embora lhe reconheça mérito de síntese ao descrever o vinho em apreço, substancial e redondo, quente e encorpado.

Passaram-se os anos, e as margens que hoje importam são de la Meuse, em Liège.

O jantar é servido na velha caixa-forte, na cave do que outrora foi um banco.

Dentro dos cofres escondem-se garrafas de vinho.

Que lá permaneçam pois a noite é da Chimay Rouge, que enche cada instante com o seu corpo.

Que encanta a vista com a sua sensualidade turva, e que turva a mente com o seu sabor imenso.

Que se pode comer, diria.

Que, qual paixão arrebatadora, faz esquecer todo o resto, que relega por largos momentos a comida servida na cave do Bruit Qui Court.

Que a torna inconveniente, até.

Como ofusca a despeitada Orval que a antecedeu e a orgulhosa Rochefort que a tentou suceder.

Em vão, pois nem todas as cervejas podem matar a fome.

Esta pode comer-se.

 


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One response

  1. Celso

    Olá Pedro. Fostes à Bélgica ou é outra Liège. Pelo acento, penso ser mesmo na Bélgica.

    Tens razão quanto a Cerveja. Não tomei esta mas, lá, qualquer uma é muito prazerosa. Cada uma com seu copo e sua temperatura ideais. Quande estive lá, era lançamento da Brahma e queriam que eu provasse. Vê se pode.

    Um grande abraço,

    Celso.

    Novembro 9, 2010 às 10:16 pm

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