Archive for Agosto, 2010

Roberto

Por vezes é a baliza que nos escolhe.
Aos gordinhos, aos menos virtuosos.
Outras vezes escolhemo-la nós.
Seja como for é para toda a vida.
Tornamo-nos reféns.
Perdemos a capacidade, perdemos sobretudo o gozo de jogar “à frente”.
Perdemos as alternativas.
Sobram a baliza e o banco.
A baliza, sedutora como nenhuma, cruel como poucas, dá-nos céu e inferno.
No banco não há céu.
Há apenas o medo de que seja para sempre…
Por isso desejamos que, nesses dias infelizes nos sossegue a esperança.
E a certeza de que é para aquilo que nascemos.
Que é para os efémeros voos nos pequenos pedaços de céu, que vivemos.
Que é entre os postes, que queremos envelhecer.
E por isso suportamos tudo. Banco incluído
Que Roberto o saiba é o que lhe desejo.

NY day 1

I

Adormecer com barulho de ventilação, movimento da rua e sirenes, ao fundo.

Acordar cedo demais, com o cheiro de pão a entrar pela janela.

Não estivesse seguro de estar na 7th avenue, e podia imaginar-me na Rua Rio de Janeiro…

II

A subida é penosa. Pelas sucessivas filas.

A vista de Manhattan do 86º andar do Empire State, essa compensa qualquer espera. Tal é o deslumbre da paisagem.

Depois a descida. Olhando para esquina oposta, da 33ª com a quinta avenida, uma lanchonete.

O tamanho, a disposição, o ambiente, tudo ali  me recordou a esquina da Tupis com a Rio de Janeiro.

Não entrei.

Preferi poupar-me á desilusão de não encontrar pasteis com caldo de cana…

Ao lado, uma pizzaria, simples, com 3 ou 4 mesas no passeio.

Uma fatia de Margherita, com folhas de manjericão. Fanta grape, a acompanhar. 

Mais Belo Horizonte impossível…



até breve…

É deprimente, a silly season do futebol Português.
Irritam-me as conversas sobre reforços messiânicos.
Não tenho paciência para torneios mais ou menos amigáveis.
Não suporto ver jogos a feijões.
Por isso parto. Por isso atravesso o Atlântico.
E, quando finalmente regressar ao velho continente, já se jogará futebol a sério.
Já a Supertaça terá dado que falar.
E da liga terão passado duas jornadas.
Suficientes para que a eterna esperança sportinguista comece a desvanecer.
Para que Villas-Boas ouça a primeira meia-dúzia de assobios no Dragão.
O ânimo Benfiquista, esse estará em alta.
Independentemente dos resultados. Imune a tudo.
E assim continuará até Maio, até ao Marquês…