Archive for Julho, 2010

hamburger com queijo e cebola…

Conheci recentemente o “melhor bolo de chocolate do mundo“.
Bom, mas pretensioso, o nome.
Há dias ao fazer o “sightseeing” do Porto descobri que o afloramento rochoso da Foz do Douro é “um dos mais antigos do mundo. Que em Matosinhos-Sul existiu outrora “uma grande quantidade de fábricas de conserva de fama mundial”.
E que a zona da lota de Leixões possui “a da maior concentração de restaurantes de peixe de Portugal, e uma das maiores da Europa”, claro.
Antes disso já tínhamos Miranda do Corvo, “capital mundial da chanfana“, a que Vila Nova de Poiares respondeu com o delicioso epíteto de “capital universal da chanfana”. Diz-se que em Marte há quem não tenha gostado do atrevimento…
Chateia-me esta necessidade de afirmação absoluta. De comparação desmesurada.
Em aspectos que serão dificilmente verificáveis e aferidos.
O Benfica, claro, é o maior clube do mundo. Mas esse é um facto objectivo e indesmentível.
Tudo o resto, com excepção do bolo de chocolate, golpe de martketing brilhante, cheira-me a pequenez.
Auto-estima debilitada, desorientada, à procura de caminhos novos.
E não é por aí, suspeito.
Não me alongo mais, por hoje.
O sol põe-se já sobre o Grande Atlântico.
E sobre a mesa do Foz Bar aguarda-me o melhor hamburger com queijo e cebola do mundo…

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17

Há anos que, de tão absolutos, parecem eras.
Há eras que, de tão perfeitas, parecem instantes.
E há instantes que, apesar de breves, desejamos eternos…

para a Ana, por estes 17 anos.
breves de tão perfeitos.
eternos de tão absolutos…


Niemeyer

Admiro Niemeyer.
Pela arquitectura. Pela dimensão humana. Pela sua admirável longevidade.
Admiro Jussara.
Pela qualidade que confere aos trabalhos de Cássia. Pela disponibilidade para a arte.
E admiro Cássia.
Pelas suas fotografias surpreendentes e perfeitas. E por muito mais que aqui não cabe.
Não podia, por isso, recusar o convite para fotografar Jussara.
Ao lado de Cássia.
Às margens da Pampulha de Niemeyer.
Nem as escassas horas de sono com que me levantei nesse Sábado de Agosto, nem os protestos de uma qualquer zeladora da Igreja de São Francisco, brandindo vâs palavras sobre decoro e moral, refrearam o entusiasmo em torno da sessão.
Nada, rigorosamente nada impediu que essa manhã se transformasse numa experiência ímpar.
Que revivo cada vez que revejo estas fotos.
Dos irresistíveis azuis da Igreja de São Francisco.
Da pérgola ondulante que Óscar desenhou para a Casa do Baile…

sem gente seria só uma ponte…

sem gente 01

(primeiro esboço para organização de um portfolio…)


de volta


Tomara que haja raio que não caia
Naquilo que nos faz saber a sal
Ou vaga ou ventania mais catraia
Que faça esta companha passar mal

(Luis Represas)


férias…


praia branca



Gosto de nevoeiro. Denso.
Da ausência de referencias, da paz, do silêncio.
Das minhas visitas a Serralves nunca esquecerei aquela em que, no edifício de Siza, entrei numa divisão, feita instalação, completamente branca, cheia de um qualquer gás branco, denso que não permitia ver mais do que um palmo à frente do nariz. Literalmente.
Lembro até hoje a sensação de vazio absoluto, de falta de referência. De chão, tecto, paredes. De tempo, até.
Que me encantou.
Como me encantou a praia do Cabedelo, ontem.
Quando, depois de atravessar a densa vegetação das dunas, cheguei ao areal, no preciso momento em que do Norte chegou um nevoeiro perfeito.
Subtil mas decidido.
Engolindo, em primeiro lugar a magnífica Igreja de Santa Luzia.
Baixando à cidade, ao porto, cruzando a foz do Lima.
A praia fez-se nuvem.
E continuou com a sua vida de praia.
Jogos de futebol, conversas, mergulhos e surfistas.
Vultos cinzentos, fundo branco.
Veio o sol. Vieram as cores.
E todos continuaram, indiferentes.
Mergulhei então no Grande Atlântico.
Satisfeito por ter tido o meu momento de paz.
O meu momento branco..

na-beira-da-página

Reunião intensa e cansativa.
A requerer grande esforço.
Concentração.
Lá fora, calor tórrido.
Um intervalo, finalmente.
Fico para trás.
Em cima da mesa um lápis.
Uma página.
A margem. Em branco.
Desafiadora.
Memórias de Ouro Preto.
Vagas e distantes.
Minutos de escape.
Merecido.
Providencial.
Fim da pausa.
De volta, o trabalho.
E a concentração.
Retemperada.
Lá fora continua calor.
Mas vê-se, ao longe, o Itacolomi …

pisco-de-peito-ruivo

Gosto de fotografar animais.
Sobretudo pelo acto em si.
Pelo processo.
Sair sem rumo, sozinho. Procurar. Esconder. Esperar.
Arriscar. Tentar. Falhar.
Recomeçar.
O resultado final suscita, normalmente, apreciações técnicas.
A nitidez, o instante, o foco, a luz.
Mas, por vezes, sobrevêm a qualidade estética, a composição, o ambiente.
Fazendo esquecer o desfoque, provocado pela grande abertura e consequente falta de profundidade-de-campo.
O ligeiro tremido. Baixa velocidade de obturação. Inevitável no Inverno. No fim-de-tarde Caramulano.
O pisco-de-peito-ruivo, esse esteve à altura do momento.
Posando com garbo nos ramos de uma videira seca.
Às portas de um qualquer Natal…


Tacuara

Casa da Música - PortoFutebol é um jogo de equipa.
Marcar um penalty é um acto solitário.
Pesado e brutal.
Num jogo decisivo chega a ser atroz.
Baresi e Baggio na final de 94, ou Veloso na última final do Benfica na Taça dos Campeões, já o sentiram na pele.
Tocou a Cardozo, desta vez.
Casillas defendeu, e o peso da eliminação do Paraguay caiu sobre ele.
Oscar Cardozo não é daqueles jogadores que conquistam multidões.
Nunca será.
Carrega aquela expressão de alheamento, de distância.
Mas, sem ser exuberante, é competente naquilo que faz.
É um ponta-de-lança. Marca golos.
Falhou o penalty.
Não foi o primeiro. Não será o último.
Que não seja o instante mais marcante da sua carreira, é o que espero…
É sobretudo o que lhe desejo.