geometria

Confesso que tenho uma quase obsessão pela perfeição geométrica.
Quando fotografo busco esse ponto mágico.
Em que as paralelas nunca se encontram.
Em que entre as perpendiculares podem contar-se 90º.
Nem sempre é fácil.
Nem sempre é possível.
O movimento, as dimensões do objecto fotografado não costumam facilitar a tarefa.
Consegui-lo, e ao mesmo tempo não perder aquela janela de oportunidade em que tudo é harmonia, em que a cena se oferece à eternidade, é trabalho digno de Hércules.
Eu, mero mortal, condenei já à gaveta centenas de fotografias que falharam esse quesito.
Esta, feita em Brugge durante um passeio de barco pelos canais, foi uma delas.
Resgatei-a hoje, graças às maravilhas da tecnologia. Graças ao Photoshop.
Os mais atentos encontrarão por certo algumas incoerências geométricas.
Que não se sobreponham à imagem em si, é o que desejo…
Anúncios

10 responses

  1. sininho

    Janelas, gosto tanto delas e a foto está magnífica!!!
    Que desperdicio!!
    Manda-me ca o teu caixote do lixo, que eu guardo-o. Até tenho ali um sítio óptimo para ele!!

    Um abraço

    Maio 26, 2010 às 10:00 pm

    • A sério, C.
      O original tinha uma perspectiva horrível…

      Maio 26, 2010 às 10:05 pm

  2. Eu confesso que busco uma diagonal:-) Suas fotos estão cada dia mais maduras. E sua forma de falar também. falar com as letras da alma. Bjs.

    Maio 26, 2010 às 10:18 pm

    • Suas perspectivas são perfeitas, Cássia. Queria eu fazê-las assim…
      Bj

      Maio 26, 2010 às 10:24 pm

  3. Mercedez Benzzz

    Perfeito! Vejo um olho escondido por baixo da janela, mascarado de ralo, espreitando escondido, tentando ouvir os pensamentos de quem absorto escreve ou lê, destraída da objectiva. No cinema este “olho” seria o espelho do fotógrafo, uma metáfora cinematograficamente perfeita! Tens de facto um olhar cinematográfico nas fotos que tiras. Não sei se conheces o realizador italiano Antoninoni. Ias adorar a fotografia dos filmes dele: tem muito esta linguagem, focada nas linhas, sempre com uma sensação de ausência de tempo, usando muito a arquitectura na fotografia como expressão dramaturgica da cena em si. Um dos filmes chama-se “A Noite” onde vês bem estes exemplos descritos. Parabéns uma vez mais! És mais fotógrafo do que imaginas! 😉 Bj

    Maio 27, 2010 às 10:44 am

    • Ruborizo, sempre que leio os teus comentários. Que muito prezo. Obrigado!!!

      Maio 28, 2010 às 9:52 pm

  4. Monica

    Linda linda!
    Como Carolina na janela,
    só que sem olhar…
    bjk

    Maio 28, 2010 às 6:03 pm

    • Obrigado, Mônica.
      Brugge é assim mesmo. Uma surpresa em cada esquina. Uma cena perfeita em cada canal…
      Bjs

      Maio 28, 2010 às 9:54 pm

  5. Sérgio

    A tua sensibilidade para as artes é tremenda, nada que me surpreenda em relação á fotografia ( dado que é algo que te vejo fazer nos ultimos 20 anos ) mas na escrita estou mesmo boquiaberto.
    Abraço
    Sérgio

    Maio 29, 2010 às 8:20 am

    • Obrigado pelas tuas palavras, Sérgio. Mas sou forçado a corrigir-te: São 25 anos, pá! Já nos conhecemos há 25 anos…

      Maio 29, 2010 às 8:52 am

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s