Archive for Maio, 2010

el secreto de sus ojos

À antiga.
É o melhor que consigo dizer do Argentino “El secreto de sus ojos“.
E não é cousa pouca.
Porque não é cousa pouca dizê-lo despretencioso e magnífico.
Variado mas coerente.
Sóbrio e sedutor.
Linear e surpreendente.
Várias histórias se entrecruzam no filme.
Que, sem disputar o palco, coexistem com harmonia.
Como coexistem com desarmante naturalidade, momentos hilariantes como há muito não via, trágicos como só nos grandes clássicos se encontram, sensíveis como raros.
Como bónus, Campanella ainda nos oferece uma das mais belas cenas de futebol que vi no cinema.
Acessória, é certo, mas belíssima, ainda assim.
E é no futebol que me detenho.
Porque era assim que gostaria de ver uma selecção.
Capaz de nos encantar como de nos deixar de coração apertado.
Com raiva, mas com paixão.
Que pareça perdida, por vezes. Mas que encontre o caminho. Sempre.
Seja Messi encantador como Guillermo Francella, seja Di Maria belo como Soledad Villamil, mas seja sobretudo Maradona competente como Juan José Campanella e temos campeão do mundo.
Que sean felices y coman perdices.

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Eppur se muove

É recorrente.
A cada Mundial, a cada Euro, surge uma nova bola.
Melhor para o espectáculo, supostamente. Melhor para o negócio, certamente.
Não tardará a surgir nas estantes das lojas de todo mundo, depois de testada pelos jogadores.
Jogadores que, a cada nova bola, desfiam um rol de críticas.
Efeitos estranhos, demasiado leve, demasiado pesada, sei lá que mais…
É sempre assim.
A bola, bem se vê, é o centro do jogo.
Mas não é o mais importante.
Volto à minha infância, aos jogos mais felizes da minha vida.
Alguém se preocupava com a bola? Não, desde que houvesse bola.
De borracha, de couro, cheia, vazia, nova, velha, redonda ou oval.
O importante era o jogo.
O dia que nos esquecermos disso, o dia em que dermos mais importância à bola, às chuteiras e aos acessórios, nesse dia o futebol começa a morrer…


geometria

Confesso que tenho uma quase obsessão pela perfeição geométrica.
Quando fotografo busco esse ponto mágico.
Em que as paralelas nunca se encontram.
Em que entre as perpendiculares podem contar-se 90º.
Nem sempre é fácil.
Nem sempre é possível.
O movimento, as dimensões do objecto fotografado não costumam facilitar a tarefa.
Consegui-lo, e ao mesmo tempo não perder aquela janela de oportunidade em que tudo é harmonia, em que a cena se oferece à eternidade, é trabalho digno de Hércules.
Eu, mero mortal, condenei já à gaveta centenas de fotografias que falharam esse quesito.
Esta, feita em Brugge durante um passeio de barco pelos canais, foi uma delas.
Resgatei-a hoje, graças às maravilhas da tecnologia. Graças ao Photoshop.
Os mais atentos encontrarão por certo algumas incoerências geométricas.
Que não se sobreponham à imagem em si, é o que desejo…

Trindade

Por ali passava meu pai, todos os dias em direcção à Praça da Alegria.
Por ali passei eu, todos os dias, rumo à Rua dos Bragas.
No início, em passo apressado subindo a Rua Ricardo Jorge.
Mais tarde, parando na Confeitaria Mónaco para o melhor momento do dia.
Passaram-se os anos.
O meu pai regressou ao Caramulo.
Eu, terminei a Faculdade.
E até a Faculdade de Engenharia rumou a outras paragens.
Acabou o velhinho comboio. Chegou o novo Metro.
Desapareceu a antiga Estação. Nasceu este edifício de Siza Vieira.
A Trindade mudou.
O encanto, esse mantém-se…

expectativa…

1.
Em alta.
Com Mourinho é sempre assim.
Não falta confiança. E isso é meio-caminho andado para a vitória.
Em Madrid.
Que, espero, tenha um significado premonitório.
Ver o Special One no Bernabeu é um sonho de qualquer Merengue.
Como eu.
E é uma inconfessada fonte de orgulho para os Portugueses.
Longe vai o tempo em que Mourinho dividia este jardim-à-beira-mar-plantado.
Hoje, o que se vê, é uma quase unanimidade.
É arrogante, sim. Mas é bom. É o melhor.
Cultiva o confronto. Mas ganha sempre. Ou quase.
Propõem-se objectivos loucos. Mas cumpre-os.
Hoje, adivinho, quase todos torcerão por uma vitória sobre o Bayern de Van Gaal.
Que se cumpra o desejo.
Que vença esta Champions.
A próxima é para Jesus…

2.
Em baixa.
Outro Português que vai conseguindo espalhar uma quase unanimidade é Queirós.
Infelizmente.
Nunca as expectativas para um mundial foram tão baixas…
E Queirós alinha no jogo.
Foi com estupefacção que ouvi o Seleccionador explicar que a escolha de 3 selecções africanas para os 3 jogos de preparação tem como objectivo preparar o jogo com os Marfinenses.
Já o sabe: É esse o jogo que importa.
Há grandes probabilidades de que o nosso Mundial se resuma a esse primeiro jogo, a uma derrota com o Brasil e uma vitória contra a Coreia-do-Norte.
Daí a importância que Queirós lhe dá.
É pouco.
E revela uma tremenda falta de ambição.


cansaço…

(…)

Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só

(António Ramos Rosa, Poema dum funcionário cansado)

(Tróia, 20 de Maio de 2010)


desencontros…

Quem não os teve?

Quem não os tem?…

Praia da Árvore – Vila do Conde

Março, 2010


slow down…


Nunca me tinha ocorrido “usar” L como modelo.

Até que uma amiga, ignorando os meus avisos sobre a sua timidez, resolveu fazer algumas fotos com ela.

Foi em BH, num estúdio que outrora fora um escritório de advocacia.

O resultado foi tão bom que desde aí, esporadicamente, ela entra em minhas fotos.

Que são dela, também…

 


presente e futuro

1.
“O Quim, que tem presente, tem menos futuro do que os aqui estão.”
Aparentemente Queiroz sente necessidade de justificar as suas escolhas.
Não devia. A convocatória é dele. E é um acto solitário.
E recorre a argumentos falhos para o fazer.
Não é bom augúrio.
Soa a desistência.
Soa a prévia justificação para o eventual insucesso.
África do Sul é presente.
Queremos ganhar é agora!
Queremos os melhores dentro de campo.
Não os com mais futuro.
O futuro vem depois.
O futuro tem tempo.
O futuro é para os Sub-21, sub-20, sub-17 e demais selecções jovens.

2.
“Não venho para ser segundo.”
O Sporting do presente é o melhor exemplo dos resultados das apostas no futuro.
Paulo Sérgio percebeu-o.
Já disse que não vem para encurtar distâncias. Não vem para preparar o futuro.
É ganhar o presente, que lhe interessa.
Que interessa a quem gosta de futebol, como eu.
Saúdo portanto, as palavras do novo treinador leonino.
Espero agora que me consiga deixar nervoso. Que me deixe irritado.
Que falhe, no final. Mas que tente.


Janelas…

Ouvi um dia Eduardo Souto Moura dizer que tinha enormes problemas em desenhar janelas.

Daí a minha surpresa quando, ao visitar o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, encontro essa original abertura…