horta

Bendito o dia em vi a placa.
Placa que anunciava o programa “horta à porta“.
O dia em que me inscrevi no programa.
E a sorte que me reservou um talhão de 25m2.
Enorme.
O início, penoso, exigiu paciência.
Erros de planeamento, pecados de principiante.
Muito trabalho. Poucos resultados.
Mas eis a primeira primavera
E tudo muda.
As alfaces, finalmente as alfaces.
Os coentros, a salsa.
A rúcula e a pimenta malagueta.
Os oregãos. E os morangos.
Tomates, cebolas.
Olhar em volta e escolher os ingredientes da próxima salada.
Da próxima refeição.
Pensando como combinar alho francês com hortelã.
Ir à feira e planear mentalmente quantas alfaces plantar.
Quantos tomateiros.
Haverá ainda espaço para os pepinos?
Eis-me na segunda primavera.
Longe.
Escutando o Atlântico, zangado, lá fora.
Com saudade.
Do cheiro dos oregãos da minha horta…

(Funchal, 20/04/2010)

7 responses

  1. Mercedez Benz

    E quando se avista a horta tão perto,
    É ganho de um novo sentido:
    Esquecidos de ego,
    A Primavera revela-se em nós num todo presente,
    Ausente de tempo,
    Tão perto de Vós!

    Abril 21, 2010 às 10:50 am

  2. Ana

    Olha um agricultor poeta!

    Abril 21, 2010 às 11:40 am

  3. cybele

    A horta de meus sonhos incluiria o manjericão, a sálvia, o tomilho e o alecrim. Ah, sim! E o quiabo. Um frango ao molho pardo com quiabo (fresco) e angu é um dos manjares divinos. Quem é mineiro sabe do que estou falando….

    Abril 21, 2010 às 3:02 pm

  4. Monica

    Já pensou em levar ora-pro-nobis praí? 🙂
    Saudades de morar em casa, aqui no apartamento só dá pra ter coisinhas em vaso…
    bjk

    Abril 21, 2010 às 6:02 pm

  5. sininho

    Hum!
    Quase consigo sentir os aromas…

    Adorei a foto!
    Os verdes ficaram espantosos!
    Quero mais!
    Bj

    Abril 21, 2010 às 10:12 pm

  6. E pensar que anda para aí gente que fala, fala, fala, e só planta couves e nabos no farmville… São uns tolos são o que são. O homem para aqui a plantar a sério, a suar, a derramar lágrimas de contentamento, a fazer bolhas nas mãos e calos nos pés… Isto sim é um agricultor a sério ! E nos tempos que correm, bem vamos precisar de voltar à terra e trabalhar para o nosso próprio sustento. Abaixo o défice, viva a agricultura biológica. Abaixo o capitalismo e a especulação financeira, vivam os tomates e os pepinos naturais !!!
    E viva os agricultores poetas e fotógrafos !

    Abril 21, 2010 às 11:50 pm

  7. Linda fotografia!

    Abraço!

    Abril 22, 2010 às 8:10 pm

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