Luisão

Todos nós temos jogadores favoritos, jogadores do coração, as nossas paixões. E, não raras vezes, a adoração de que padecemos parece-nos desmesurada, desproporcionada em relação ao real valor do objecto do afecto, porque desconhecidas são as razões do coração. É assim com Luisão. É assim desde que chegou ao Benfica, vindo do odiado Cruzeiro de Belo Horizonte. E foram essas estranhas razões que me fizeram defendê-lo quando todos o criticaram, que me levaram a desculpá-lo quando falhou. Desculpei-o até quando se desentendeu em campo com Katsouranis, outro dos meus favoritos. Mas quando brilhou senti-me recompensado, orgulhoso quando se revelou imperial no centro da defesa encarnada, deleitado sempre que conseguiu um qualquer desarme impossível, em êxtase quando, usando a sua estatura e o sentido de oportunidade, marcou golos decisivos. Foi assim quando saltou autoritário sobre Ricardo, despertando a ira dos Sportinguistas, mas garantindo o último campeonato do Benfica. Foi assim quando, na pequena área desfeiteou Reina, abrindo as portas para Simão e Micolli brilharem,  nessa noite histórica em Anfield Road. E foi assim na Luz, quando deixou Eduardo preso ao chão e Domingos à beira de um ataque de nervos, decidindo, talvez, este campeonato a favor do Benfica. Longe vão os tempos em que poucos o queriam na Luz, porque hoje, se não é o central mais brilhante do plantel, é talvez o mais adorado. São certamente desconhecidas as razões do coração. Mas hoje parecem-me claras e justas.

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